Quatro em cada dez brasileiros relatam presença do crime organizado em seus bairros, revela Datafolha

Diagnóstico do Datafolha aponta que 68,7 milhões de pessoas convivem com o crime organizado no Brasil
quatro-em-cada-dez-brasileiros

O levantamento mais recente do Datafolha, realizado em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apresenta um dado alarmante sobre a soberania estatal: 41% dos brasileiros afirmam que grupos criminosos operam de forma visível nos bairros onde residem. O índice, que corresponde a aproximadamente 68,7 milhões de pessoas, expõe a capilaridade de facções e milícias que deixaram de atuar apenas nas sombras para ditar regras de convivência e controlar o acesso a serviços essenciais em diversas regiões do país.

A pesquisa detalha que esse controle vai muito além da venda de entorpecentes. Em muitas comunidades, o crime organizado estabeleceu um “Estado paralelo” que regula a economia local: 12,5% dos entrevistados declararam ser compelidos a contratar serviços de internet, energia ou água de fornecedores indicados por esses grupos. Além disso, a imposição de marcas específicas para consumo e a restrição da liberdade de locomoção — que afeta 75% dos moradores dessas áreas — mostram como a gestão do território foi transferida das mãos do poder público para as organizações criminosas.

No campo político, esses números servem como combustível para o debate sobre a eficiência das políticas de segurança. Lideranças como o senador Flávio Bolsonaro têm utilizado os dados para criticar o modelo atual de enfrentamento, defendendo que a ocupação desses territórios pelo crime é reflexo de uma ausência de autoridade e de leis penais mais rigorosas. Para os aliados do senador, a pesquisa valida o clamor popular por uma presença estatal que recupere o controle dos bairros e liberte a população do medo de confrontos, que hoje assombra 71% das famílias brasileiras preocupadas com o envolvimento de jovens com o tráfico.

O cenário desenhado pelo Datafolha em 137 municípios brasileiros indica que a segurança pública não é apenas uma questão de estatística policial, mas um fator determinante na qualidade de vida e no exercício da cidadania. Com a margem de erro de dois pontos percentuais, os dados reforçam a urgência de estratégias que asfixiem o braço financeiro dessas facções, impedindo que continuem a monopolizar serviços básicos e a cercear o direito de ir e vir de milhões de cidadãos nos grandes centros e no interior do país.

Tags:
Compartilhar Post: