A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro localizou, nesta terça-feira (19), o corpo do desembargador federal Alcides Martins Ribeiro Filho, de 64 anos, integrante do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). O magistrado estava desaparecido desde o dia 14 de abril. O cadáver foi encontrado por equipes especializadas em uma área de mata de difícil acesso na Zona Sul da capital fluminense.
A localização do corpo mobilizou agentes da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) e equipes do Corpo de Bombeiros, que efetuaram as buscas na região do mirante Vista Chinesa, situado no perímetro do Parque Nacional da Tijuca.
Perícia técnica e andamento das investigações
Os primeiros levantamentos periciais no local do encontro do corpo traçaram o seguinte panorama para as autoridades policiais:
Ausência de marcas: De acordo com os relatórios preliminares divulgados pela Polícia Civil, o corpo do magistrado não apresentava sinais visíveis de violência física.
Exames complementares: A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) realizou a perícia de campo e providenciou o encaminhamento do corpo ao Instituto Médico Legal (IML) para a realização de exames de necropsia, que determinarão a causa exata da morte.
Inquérito: As linhas de investigação permanecem abertas pela Polícia Civil para o esclarecimento total das circunstâncias que envolveram o desaparecimento e o óbito.
Trajetória profissional na Magistratura Federal
Alcides Martins Ribeiro Filho possuía uma carreira de mais de três décadas na estrutura do Poder Judiciário Federal da 2ª Região, que abrange os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo:
Ingresso (1993): Aprovado em concurso público de provas e títulos para o cargo de juiz federal substituto.
Atuação na primeira instância: Exerceu a titularidade na 1ª Vara Federal de Niterói, na 41ª Vara Criminal do Rio de Janeiro e na 28ª Vara Federal Cível da capital.
Ascensão ao Tribunal (2017): Tomou posse como desembargador federal do TRF-2, onde chegou a presidir a 5ª Turma Especializada e a compor o Conselho de Administração da instituição.
Afastamento preventivo pelo CNJ
No ano anterior ao seu desaparecimento, em maio de 2025, o plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou o afastamento cautelar de Alcides Martins de suas funções jurisdicionais.
A medida preventiva foi adotada em decorrência da abertura de um procedimento administrativo para apurar o envolvimento do magistrado em uma denúncia de violência doméstica contra sua ex-companheira. À época do julgamento do afastamento, o Conselho considerou que os indícios apontavam para uma conduta desalinhada com os deveres de responsabilidade exigidos para o exercício do cargo.
Pronunciamento oficial do tribunal
A presidência do TRF-2 emitiu uma nota oficial de pesar após a confirmação do falecimento por parte das autoridades de segurança pública. O presidente da Corte, desembargador federal Luiz Paulo da Silva Araújo Filho, manifestou solidariedade institucional e pessoal aos familiares, amigos e servidores do tribunal diante do encerramento das buscas






