Uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil prendeu, na manhã desta quinta-feira (21), a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra. Batizada de “Operação Vérnix”, a ação investiga um sofisticado esquema de ocultação de patrimônio e lavagem de capitais associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A prisão preventiva foi efetuada em sua residência, em um condomínio de alto padrão em Alphaville, Barueri (SP).
Deolane havia acabado de desembarcar no Brasil após uma viagem internacional à Itália. Os investigadores informaram que o nome da influenciadora chegou a ser incluído preventivamente na difusão vermelha da Interpol antes de seu retorno ao país.
Os pilares da investigação e o elo com a facção
A apuração que resultou na prisão preventiva da advogada começou a ser desenhada a partir de cruzamentos de dados financeiros e materiais apreendidos em fases anteriores de combate ao crime organizado:
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A empresa de fachada: O Ministério Público aponta que o PCC utilizava uma transportadora de cargas sediada no interior do estado, em Presidente Venceslau, como uma empresa de fachada para escoar e dissimular os lucros do tráfico de drogas.
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O papel da influenciadora: De acordo com o MPSP, Deolane usava suas contas bancárias pessoais e empresariais para receber e repassar recursos dessa transportadora. A polícia suspeita que ela utilizava sua alta capacidade financeira e fama para mascarar a circulação de valores ilícitos, atuando na lavagem de dinheiro para o núcleo familiar da chefia da facção.
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Histórico imobiliário: Investigadores também resgataram depoimentos de operadores da facção presos em anos anteriores, como Everton de Sousa, o “Gordão”. Em depoimento, foi revelado que ele residia e pagava aluguel “de boca” em um apartamento de propriedade de Deolane na Zona Leste de São Paulo.
Cúpula do PCC e familiares também são alvos
A Operação Vérnix expediu um pacote de mandados de prisão preventiva e ordens de busca que miram diretamente a linha de comando da organização criminosa:
Alvos da Operação Vérnix (Núcleo Familiar de Liderança)
├── Marco Willians Herbas Camacho (Marcola) -> Notificado na prisão federal
├── Alejandro Camacho (Júnior / Irmão) -> Notificado na prisão federal
├── Paloma Sanches Herbas Camacho (Sobrinha) -> Mandado (Alvo na Espanha)
└── Leonardo Herbas Camacho (Sobrinho) -> Mandado (Alvo na Bolívia)
Marcola e seu irmão Alejandro cumprem pena na Penitenciária Federal de Brasília e foram formalmente notificados no presídio sobre as novas ordens judiciais de prisão preventiva.
Bloqueio milionário e manifestação da defesa
Para além das prisões, a Justiça de São Paulo determinou o congelamento de contas bancárias e o sequestro de bens dos investigados no intuito de desidratar o braço financeiro do grupo:
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Contas bancárias: Bloqueio judicial de valores que superam o montante de R$ 300 milhões nas contas dos envolvidos.
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Bens de luxo: Ordem de sequestro e retenção de frotas de veículos e automóveis de alto padrão avaliados em R$ 8 milhões.
Contraponto: A irmã de Deolane, a também advogada Daniele Bezerra, manifestou-se publicamente por meio das redes sociais. Ela rechaçou as acusações do Ministério Público, afirmando que a prisão preventiva da influenciadora é baseada em “ilações, narrativas e perseguições” políticas e midiáticas, e que a defesa técnica provará a inocência de Deolane nos autos do processo.






