Marcola é notificado na prisão federal sobre novo mandado por lavagem de dinheiro em operação com Deolane Bezerra

A notificação judicial foi integrada à "Operação Vérnix", deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Civil
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Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola e apontado pelas autoridades como o principal líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi alvo de uma nova ordem de prisão preventiva nesta quinta-feira (21). A notificação judicial foi integrada à “Operação Vérnix”, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Civil para desarticular a rede financeira da facção, que resultou também na prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra.

Apesar do novo mandado expedido pela Justiça de São Paulo, Marcola encontra-se em regime de reclusão ininterrupta desde o dia 19 de julho de 1999. O novo indiciamento por lavagem de dinheiro e ocultação de bens foi entregue diretamente na cela de segurança máxima onde o detento cumpre suas penas acumuladas.

A rota do isolamento: Três décadas e 19 presídios

A gestão da custódia de Marcola é considerada pelas agências de inteligência pública como uma das operações de maior complexidade e custo do sistema penitenciário nacional, motivada por seu histórico de fugas no final do século passado:

  • Histórico de evasões: Antes de sua última prisão definitiva em 1999, o investigado havia sido detido em três ocasiões diferentes, conseguindo escapar de todas as unidades prisionais estaduais onde fora alocado.

  • Peregrinação carcerária: Entre 1999 e 2019, o líder do PCC passou por 19 presídios sob administração do Estado de São Paulo, a maioria deles localizada na região do Oeste Paulista.

  • Federalização (2019): Diante de relatórios que apontavam ordens de atentados contra autoridades e ameaças iminentes à segurança pública, o Ministério da Justiça determinou a transferência do preso para o Sistema Penitenciário Federal.

  • O plano de resgate (2023): Enquanto cumpria pena na Penitenciária Federal de Porto Velho (RO), o MPSP interceptou um plano estruturado por advogados e comparsas para retirá-lo da unidade. A descoberta forçou sua transferência emergencial para a Penitenciária Federal de Brasília, onde permanece em isolamento rigoroso.

Perfil e ascensão na estrutura da facção

O relatório biográfico anexado aos inquéritos policiais traça a evolução de Marcola no submundo do crime organizado desde a sua infância:

Linha de Evolução - Marco Willians Herbas Camacho
├── Infância (Osasco/Centro de SP): Pequenos furtos na área central da capital.
├── Juventude ("Playboy"): Conhecido pelo consumo de artigos de luxo e marcas importadas.
├── Ingresso no PCC: Introduzido por Cesar Augusto Roris (Cesinha), um dos fundadores da facção.
└── Tomada do Poder (2002): Assume o controle central após expurgos e conflitos internos na cúpula.

Embora sua defesa técnica e o próprio investigado neguem formalmente em juízo qualquer papel de liderança ou subordinação na estrutura do PCC, Marcola acumula uma folha corrida de condenações que somam mais de 300 anos de reclusão pelos crimes de tráfico internacional de entorpecentes, homicídio qualificado, formação de quadrilha e associação criminosa.

Prescrição de megaprocesso penal no interior de SP

A nova acusação contra Marcola ocorre meses após o encerramento de um dos maiores processos criminais movidos contra a facção no interior paulista. Em dezembro de 2025, o juiz Gabriel Medeiros, da 1ª Vara de Presidente Venceslau, reconheceu a extinção de punibilidade para 161 investigados de uma denúncia protocolada originalmente em 2013.

O caso enfrentou um hiato de tramitação de 12 anos e atingiu o prazo limite de prescrição punitiva estipulado pelo Código Penal em 28 de setembro de 2025. O encerramento definitivo desta ação penal específica, contudo, não gerou qualquer impacto prático ou redução nas penas que Marcola e as demais lideranças do Primeiro Comando da Capital já cumprem no sistema federal.

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