A Colômbia voltará às urnas no dia 21 de junho para definir o seu próximo chefe de Estado em um dos pleitos mais polarizados de sua história recente. Após uma contagem acirrada no primeiro turno, realizado no domingo (31), o eleitorado colombiano confirmou uma disputa direta entre dois projetos de país radicalmente opostos: a extrema direita, representada pelo advogado e empresário Abelardo de la Espriella, e a esquerda, liderada pelo experiente senador Iván Cepeda.
O resultado das urnas contrariou as principais pesquisas de intenção de voto locais, que sugeriam o favoritismo e a liderança de Cepeda. O ambiente político no país é marcado por uma sensação mista de otimismo e forte temor social em relação ao que cada candidatura representa, sob o pano de fundo da onda de violência mais severa enfrentada pela Colômbia na última década.
O desempenho dos candidatos no 1º turno
Os dados consolidados da contagem preliminar oficial da autoridade eleitoral apontam uma vantagem numérica para a ala da extrema direita:
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Abelardo de la Espriella: Alcançou 43,7% dos votos válidos. O advogado de 47 anos estruturou sua campanha posicionando-se como um outsider sem carreira política prévia, atraindo eleitores descontentes com o atual sistema. Ele é um admirador confesso do ex-presidente americano Donald Trump e propõe uma agenda econômica de livre mercado e redução drástica do tamanho do Estado, inspirada no modelo adotado por Javier Milei na Argentina.
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Iván Cepeda: Obteve 40,9% dos votos. O senador de 63 anos é o herdeiro direto das políticas e bases sociais do atual presidente esquerdista, Gustavo Petro. Apesar de ter ficado em segundo lugar por uma pequena margem, a esquerda colombiana demonstrou força orgânica ao contabilizar mais de 9,6 milhões de votos, superando o desempenho de Petro no primeiro turno do pleito de 2022.
Os discursos e as reações do eleitorado
A reta final da campanha presidencial escancara a divisão ideológica no país sul-americano, mobilizando argumentos focados em segurança pública e direitos sociais:
Principais Eixos de Debate entre os Candidatos
├── Extrema Direita (Mão Dura e Anti-Petrismo)
│ └── Foco: Críticas ao fracasso da política de "paz total" do governo Petro com grupos armados.
│ └── Medo dos eleitores: Possibilidade de o "comunismo" assumir o controle da Colômbia.
└── Esquerda (Continuidade Social e Representatividade)
└── Foco: Manutenção de programas voltados a jovens, populações vulneráveis, negros e indígenas.
└── Medo dos eleitores: Ascensão do que classificam como "fascismo" e extrema direita global.
Para os apoiadores de De la Espriella, o país necessita de “sangue novo” e de uma postura de “mão dura” no combate à criminalidade urbana e à extorsão, classificando os diálogos da gestão atual com facções e milícias como lenientes. Por outro lado, as bases governistas de Cepeda — que incluem lideranças de comunidades tradicionais, como os povos indígenas Kamsá e Nasa — defendem a manutenção das garantias sociais.
Caso a chapa de esquerda consiga reverter o cenário e vencer o segundo turno em junho, a Colômbia registrará um marco institucional inédito ao eleger, pela primeira vez em sua história, uma mulher de origem indígena para o cargo de vice-presidente da República, a líder ativista Aida Quilcué.






