Conexão Amazonas-Minas: Investigação de chacina em Lábrea atinge cúpula política mineira

Executores de triplo homicídio motivado por disputa agrária apontam integrantes da família de deputado federal e de suplente de senador como supostos mandantes do crime
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LÁBREA, AM — Uma investigação da Polícia Civil do Amazonas sobre uma chacina que vitimou três pessoas no município de Lábrea, no sul do estado, cruzou as fronteiras regionais e provocou uma forte crise política em Minas Gerais. Depoimentos de suspeitos de executarem o crime apontam membros da influente família Coelho Diniz, que possui forte atuação empresarial no agronegócio e representação no Congresso Nacional, como supostos mandantes das execuções.

O elo central da denúncia recai sobre Moisés Diniz, filho do empresário Alex Sandro Coelho Diniz. Alex é filiado ao Partido Liberal (PL) e atua como primeiro suplente do senador mineiro Cleitinho (Republicanos). A ramificação política familiar estende-se ainda à Câmara dos Deputados, onde o irmão de Alex, Hercílio Coelho Diniz (MDB-MG), exerce mandato parlamentar.

O Crime e a Motivação Fundiária

O episódio violento ocorreu em 25 de abril de 2026 na região do assentamento PA Monte, área marcada por um histórico crônico de grilagem e violência no campo. Emboscados em uma estrada vicinal, Josias Albuquerque de Oliveira, seu sobrinho de apenas 14 anos, e Antonio Renato Vieira de Souza (32) foram executados com rajadas de fuzil e disparos de pistola. Um quarto ocupante do veículo sobreviveu ao ataque.

A linha de investigação da polícia foca no conflito de terras. A família de Josias mantinha uma disputa jurídica severa contra o grupo empresarial dos Diniz em uma região de terras devolutas. Uma decisão judicial anterior, que favorecia os fazendeiros, havia sido anulada recentemente pela Justiça, o que, segundo movimentos sociais locais, reavivou a hostilidade na área.

Raio-X do Caso e Desdobramentos
├── 📅 Data do Crime ─────────> 25 de abril de 2026, no assentamento PA Monte (Lábrea-AM)
├── 👥 Vítimas Fatais ────────> Josias Albuquerque, um adolescente de 14 anos e Antonio Renato
├── 🔍 Linha de Investigação ─> Execução encomendada (pistolagem) motivada por disputa fundiária
└── 🏍️ Prova Material ────────> Motocicleta apreendida registrada em nome de empresa do grupo Diniz

Depoimentos Relacionam Patrão ao Crime

A conexão com a família mineira ganhou robustez técnica após a prisão dos supostos executores. Em depoimento gravado logo após a captura, o executor Lucas Pessoa dos Santos afirmou textualmente às autoridades que a ordem para as mortes partiu de Moisés Diniz. Ao ser questionado formalmente sobre quem seria o mandante, Lucas declarou: “O Moisés”, complementando na sequência: “Meu patrão”.

A tese policial ganhou reforço com a apreensão de uma motocicleta utilizada na logística do crime. O veículo possui registro de propriedade vinculado diretamente a uma empresa do setor agropecuário que pertence ao grupo econômico da família Coelho Diniz.

Recuo de Testemunha e Defesas Civis

O andamento do inquérito ganhou um elemento de complexidade após a realização da audiência de custódia dos suspeitos. Assistido por uma nova composição de defesa jurídica, Lucas Pessoa dos Santos mudou a versão inicial dada aos delegados. O preso alegou que teria sido coagido fisicamente pelas forças policiais a citar o nome dos empresários mineiros e assumiu, de forma isolada, a propriedade do armamento pesado utilizado.

Lideranças locais e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) manifestaram forte preocupação com o recuo, sinalizando o histórico de impunidade na região amazônica decorrente do poder econômico de grandes latifundiários. “Grandes fazendeiros entram com ação contra os pequenos, a gente recorre à Justiça e a Justiça fica enrolando”, criticou Cosme Capistano, representante da CPT.

Procurado pela imprensa, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) afirmou desconhecer o teor das investigações no Amazonas. A assessoria do deputado federal Hercílio Coelho Diniz não emitiu posicionamento oficial. Em contato inicial, Moisés Diniz negou qualquer envolvimento com o crime, rebatendo a existência de armas em suas propriedades e confirmando apenas que realiza viagens regulares a cada dois meses para a região de Boca do Acre e Lábrea para gerenciar os negócios agrícolas. A Polícia Civil do Amazonas mantém o inquérito aberto para a conclusão das perícias digitais.

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