Instabilidade em Brasília: Maior risco para o Brasil hoje é o político-institucional, aponta relatório da Arko Advice

Avanço das investigações do "Caso Master" atinge principais forças do Congresso e respinga no STF; consultoria aponta falta de diálogo e ameaça direta à governabilidade do Planalto

ANÁLISE DE CENÁRIO — O principal vetor de incerteza e vulnerabilidade para o Brasil na atualidade reside no pilar político-institucional. A conclusão consta no relatório Risco Brasil, elaborado pela consultoria política Arko Advice, que aponta como o avanço de escândalos de corrupção e a escalada de tensões entre os Poderes em Brasília devem cobrar um preço alto da governabilidade do Palácio do Planalto junto ao Congresso Nacional.

De acordo com a avaliação do cientista político e CEO da Arko, Murillo de Aragão, o ambiente institucional da capital federal é marcado por uma severa crise de coordenação:

“Acho que continuará a haver disputa de poder, conflito institucional, mistura de competências, ausência de limites, mas, sobretudo, uma ausência de vocação para o diálogo”, alertou Aragão durante participação no programa WW.

O “Caso Master” e o racha pluripartidário

O principal elemento de desestabilização do xadrez político é o desdobramento do chamado Caso Master, cujas investigações foram deflagradas por meio da Operação Compliance Zero. Longe de se restringir a um único espectro ideológico, o escândalo converteu-se em uma crise pluripartidária ao atingir lideranças expressivas de diferentes forças do parlamento:

O Alcance Político do Caso Master
├── 🏛️ Centrão ───────> Investigações alcançam o senador Ciro Nogueira (PP)
├── 🔵 Oposição ─────> Suspeitas atingem o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL)
└── 🔴 Governismo ───> Nomes ligados ao PT, como o senador Jaques Wagner, são citados

Crise atinge o STF e mira Alexandre de Moraes

O abalo institucional ultrapassou as fronteiras do Legislativo e provocou fissuras abertas no próprio Supremo Tribunal Federal (STF). A condução da relatoria das investigações, atualmente sob a responsabilidade do ministro André Mendonça, tornou-se alvo de contestações públicas e divergências internas na Corte, capitaneadas pelo decano do tribunal, ministro Gilmar Mendes.

Paralelamente, a crise atinge o núcleo duro do Judiciário:

  • Suspeitas sobre relator: O ministro Alexandre de Moraes — relator da ação penal que resultou na prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro — passou a figurar sob o foco das suspeitas devido a relações contratuais de sua esposa, a advogada Viviane Barci, com o ex-banqueiro pivô do Caso Master.

  • Ofensiva no Senado: Diante do desgaste da Corte, a oposição articulada pela direita bolsonarista elegeu o Senado Federal como principal trincheira. O objetivo estratégico do grupo é consolidar uma maioria na Casa para forçar o andamento de pedidos de impeachment contra ministros do STF.

Emendas orçamentárias e o fator fiscal como freio

A governabilidade do Executivo é dificultada pelo empoderamento do Congresso Nacional, que detém o controle quase impositivo de fatias bilionárias do Orçamento Geral da União por meio de emendas parlamentares. Com o Planalto refém da liberação desses recursos para aprovar projetos, o equilíbrio de forças tornou-se frágil.

Para a Arko Advice, a única âncora capaz de forçar uma trégua e restabelecer pontes mínimas de diálogo em Brasília paradoxalmente reside no risco econômico. Segundo Murillo de Aragão, caso o quadro fiscal do país apresente uma deterioração acentuada, a gravidade econômica poderá obrigar os chefes dos Poderes, o centrão e a oposição a sentarem-se à mesa para negociar uma saída conjunta, evitando um colapso institucional mais agudo.

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