OPERAÇÃO REDUTO! PF invade empresa em bairro nobre de Manaus por esquema milionário de “rachadinha” e fraudes em Rondônia

Sede da Millennium Locadora, envolvida em polêmica com jato de Lula e contrato de R$ 42 milhões na Semed, é alvo de busca e apreensão; Justiça bloqueia R$ 9 milhões em bens
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A Polícia Federal deflagrou uma ofensiva avassaladora para desarticular um poderoso esquema de corrupção que estende seus tentáculos por estados do Norte do país. Agentes federais invadiram a sede da empresa Millennium Locadora Ltda., localizada no sofisticado bairro Adrianópolis, em Manaus, durante o cumprimento dos mandados da Operação Reduto. A empresa amazonense foi arrastada para o centro de uma investigação criminal comandada pela PF de Rondônia, que apura fraudes em licitações, desvio de dinheiro público, lavagem de capitais e associação criminosa.

Ao todo, o Poder Judiciário autorizou o cumprimento de 19 mandados de busca e apreensão — espalhados por Manaus (AM), Ariquemes (RO) e Porto Velho (RO) —, além de decretar duas prisões preventivas, o afastamento imediato de 11 servidores públicos de seus cargos e o bloqueio de R$ 9 milhões em bens e ativos financeiros dos envolvidos.

O Império de Empresas do Dono da Locadora

Embora os delegados da Polícia Federal mantenham os nomes dos alvos sob absoluto sigilo institucional, cruzamentos de dados societários públicos revelam que a Millennium Locadora é controlada pelo megaempresário Ivair Ferreira. O empresário capitaneia uma teia impressionante de CNPJs que transitam por múltiplos setores econômicos estratégicos na Amazônia:

O Labirinto Empresarial sob Investigação
├── ✈️ Setor de Aviação ───> MLL Táxi Aéreo (Envolvida em translado presidencial)
├── 🚌 Transporte Público ─> Consórcio Zagreb (Parceria com a São Pedro Transportes)
├── 🩺 Saúde e Comércio ──> Transcare Atendimento Médico, Auto Import Veículos e BH Store
└── 🍔 Alimentação ────────> Spicy Restaurante e Serviços de Alimentação Ltda.

O grupo empresarial de Ivair também abarca as marcas Logic Pro Tecnologia, TCP Service, SG Engenharia e Flex Solutions, consolidando forte penetração em contratos de prestação de serviços na região.

Jato de Lula e Contrato Milionário de Transporte Escolar na Semed

A Millennium Locadora está longe de ser uma desconhecida nos bastidores do poder nacional e local. A empresa carrega em seu histórico episódios de altíssima visibilidade política e contratos cifrados na casa dos milhões:

  • O Jato Presidencial (2022): A empresa ganhou as manchetes de todo o país logo após o pleito presidencial de 2022. O jato executivo modelo Citation XLS, utilizado para transportar o então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva de São Paulo para Brasília, pertencia à locadora amazonense e era operado pela MLL Táxi Aéreo.

  • O Aditivo da Semed (2025): Recentemente, em dezembro de 2025, a Millennium abocanhou um generoso aditivo contratual no valor de R$ 42,2 milhões junto à Secretaria Municipal de Educação de Manaus (Semed), assegurando o monopólio da frota de transporte escolar da rede pública municipal.

Como Funcionava o Esquema: Licitações Marcadas e Rachadinha

A engrenagem criminosa começou a desmoronar após o compartilhamento de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) emitidos pelo Coaf, que detectaram movimentações bancárias atípicas e incompatíveis com a renda dos investigados. A PF mapeou dois núcleos claros de corrupção institucional:

Núcleo 1 (Fraude em Ariquemes): Focado no direcionamento e viciamento de editais de licitação para favorecer empresas do grupo econômico envolvido em Rondônia.

Núcleo 2 (Rachadinha na Assembleia): Utilizava contas bancárias de servidores fantasmas e comissionados da Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE-RO) para pulverizar, sacar e desviar o dinheiro público de forma dissimulada.

Até o momento da publicação, a Polícia Federal não detalhou de que forma o braço manauara da empresa participava do fluxo de lavagem de dinheiro. Nem a diretoria da Millennium Locadora e nem os advogados do empresário Ivair Ferreira foram localizados para se manifestar sobre a operação da PF.

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