“CORONEL CABEÇÃO”: ÁUDIOS REVELAM RELAÇÃO DE OFICIAIS DA PM COM OPERADORES DO PCC

As citações surgiram no âmbito da Operação Janus, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
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Diálogos interceptados pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) citam ao menos três coronéis da Polícia Militar de São Paulo em investigações sobre o esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio do Primeiro Comando da Capital (PCC). As citações surgiram no âmbito da Operação Janus, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

LIGAÇÕES E ÁUDIOS INTERCEPTADOS
Segundo relatórios do MPSP, investigados no esquema mantinham proximidade com o coronel José Augusto Coutinho, ex-comandante geral da PM, com o coronel Pereira Martins, apontado como diretor de ensino da corporação, e com um terceiro oficial identificado pelo prenome “Patrício”.

Em gravações telefônicas transcritas pelos investigadores, o operador financeiro Cleber Azevedo dos Santos detalha a proximidade com a cúpula da corporação a um funcionário, referindo-se aos oficiais e mencionando o apelido “coronel Cabeção”. Além dos áudios, a investigação anexou uma fotografia em que o coronel Pereira Martins aparece ao lado de Cleber em um evento social.

PAGAMENTOS E REGISTROS EM PLANILHAS
Registros de conversas apontam mensagens enviadas por Cleber Azevedo solicitando repasses financeiros para pagamentos destinados a agentes policiais. Em planilha de controle financeiro apreendida, datada de dezembro de 2019, constava o lançamento explícito de um pagamento em espécie no valor de R$ 1 mil destinado ao coronel Patrício.

De acordo com a promotoria, os dados indicam a existência de um canal estruturado de influência. Os oficiais da PM citados no processo não foram alvos de mandados na operação e nem denunciados formalmente até o momento.

A OPERAÇÃO JANUS
A Operação Janus cumpriu 18 mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão expedidos pela Vara Estadual de Organizações Criminosas. A ação visa desarticulação de operadores financeiros suspeitos de movimentar dinheiro em espécie, realizar transferências bancárias e utilizar contas de terceiros e empresas de fachada para ocultar patrimônio oriundo da facção criminosa.

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