A repercussão do caso do recém-nascido Noah, que foi encontrado com vida por agentes funerários cinco horas após ter o óbito atestado na Santa Casa de Rio Claro (SP), mobilizou a comunidade médica. Em análise ao episódio, especialistas levantaram a hipótese da Síndrome de Lázaro, enfatizando a raridade do fenômeno no cenário da literatura científica global.
O conceito refere-se ao retorno espontâneo da circulação sanguínea após a interrupção das manobras de reanimação cardiorrespiratória. Segundo especialistas em pediatria, o fenômeno conta com cerca de 65 casos documentados no mundo, sendo a esmagadora maioria em pacientes adultos e idosos. O tempo transcorrido de cinco horas no caso de Rio Claro torna o evento ainda mais excepcional, visto que a maior parte dos registros de retorno circulatório ocorre nos minutos imediatos após a suspensão das manobras.
HISTÓRICO DO ATENDIMENTO E CONSTATAÇÃO
Noah nasceu com uma malformação congênita e sofreu duas paradas cardiorrespiratórias em sequência logo após o parto. A equipe médica realizou manobras de reanimação por mais de 40 minutos. Sem resposta aos estímulos, a morte foi atestada e informada aos familiares.
Cerca de cinco horas depois, durante o trabalho dos profissionais do serviço funerário para o sepultamento, foram identificados movimentos e sinais vitais na criança. O bebê recebeu atendimento emergencial e foi reinternado em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
APURAÇÃO INTERNA E ESTADO DE SAÚDE
A direção da Santa Casa de Rio Claro abriu sindicância interna e acionou a comissão de ética para apurar o caso. A instituição declarou que os protocolos padrão para verificação do óbito foram aplicados durante o atendimento inicial.
O recém-nascido foi transferido para o Hospital das Clínicas de Bauru, unidade de referência no tratamento de anomalias congênitas. De acordo com informações da família, Noah segue sob cuidados intensivos, apresentando estabilização no quadro clínico para o prosseguimento dos exames e intervenções necessárias.






