O Conselho de Orientação (Cori) do Corinthians rejeitou, em reunião realizada na noite de segunda-feira (27/07), a análise de um novo projeto de reforma do Estatuto do clube. A proposta havia sido encaminhada pelo presidente do Conselho Deliberativo (CD), Romeu Tuma Júnior.
Com a decisão de não deliberar sobre o tema, encerra-se a perspectiva de alterações nas normas corinthianas a curto prazo, indicando que o pleito eleitoral previsto para o final deste ano será conduzido sob o regulamento vigente.
Argumentação jurídica e dispositivo estatutário
Durante o encontro, conselheiros como Alexandre Husni, Guilherme Strenger, Felipe Ezabella e Ademir Benedito sustentaram que havia um impedimento regimental para que o assunto voltasse à pauta do órgão. O grupo recorreu ao parágrafo único do artigo 81 do Estatuto, que veda a reapreciação pelo CD de matérias já deliberadas antes do decurso de um ano. Como o plenário se manifestou sobre pontos da reforma em maio, o tema só poderia retornar após 18 de maio de 2027.
Romeu Tuma Júnior argumentou que o rito anterior encontrava-se suspenso devido a uma liminar judicial que cancelou a última Assembleia Geral (AG), o que permitiria o início de um novo processo de debates. O argumento, no entanto, não foi acatado pela maioria dos membros do Cori.
Em declaração, o presidente do CD lamentou a falta de consenso para dar andamento ao texto e informou que aguardará o julgamento definitivo da ação judicial em andamento.
Desligamento de ex-presidente e situação financeira
Além da pauta estatutária, a reunião do Cori registrou o desligamento do ex-presidente Roberto de Andrade da composição do órgão até o fim do atual triênio administrativo, em razão de ausências não justificadas em encontros anteriores.
A pedido de Tuma, também foi sugerida a inclusão da situação financeira da instituição em reuniões futuras, em virtude de preocupações com a sustentabilidade orçamentária do clube. A sugestão não chegou a ser votada.
Memorando da SAFiel não é apreciado
No encerramento da sessão, o presidente da diretoria executiva, Osmar Stabile, esteve presente para abordar a intenção de obter aval do conselho para a assinatura de um memorando não-vinculante do projeto “SAFiel”. Contudo, o assunto não foi debatido sob a justificativa formal de que a pauta não constava na ordem do dia e não poderia ser deliberada no tópico de assuntos gerais.
Destaques da proposta rejeitada
O texto barrado pelo Cori previa alterações operacionais e administrativas, tais como:
– Direito de voto para sócios do Fiel Torcedor a partir de 2026.
– Redução do período de carência para votar de cinco para três anos.
– Eleição para a presidência do clube em até dois turnos.
– Redução da composição do Conselho Deliberativo para 200 membros.
– Divulgação trimestral dos balancetes financeiros.
– Regra de transição liberando a reeleição do atual presidente.






