Estudante de direito que dá curso para evitar golpe é presa por dar golpe

Investigação da Polícia Civil do Distrito Federal aponta que a universitária e o companheiro clonavam páginas de lojas e montavam cenários falsos para simular a venda de celulares.
estudante-de-direito-que-da-cu

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da 8ª Delegacia de Polícia (Estrutural), deflagrou a Operação Reflexo para desarticular um esquema de estelionato eletrônico especializado na venda falsa de celulares pela internet. A ação resultou na prisão preventiva da estudante de direito Micaelli Araújo, de 22 anos, e de seu companheiro, Rafael dos Santos Damasceno, de 25 anos.

A operação chamou atenção devido ao perfil público da investigada. Em suas redes sociais, a universitária, que cursa o 7º semestre de direito e atuava como estagiária em um escritório de advocacia, publicava conteúdos sobre segurança digital, incluindo orientações para evitar fraudes e instruções para desbloqueio de contas bancárias. No entanto, o levantamento policial indica que ela atuava diretamente na organização do esquema simulado.

Estrutura do esquema e modo de atuação

Para atrair consumidores em plataformas de comércio eletrônico, o casal adotava estratégias para dar aparência de legitimidade às ofertas de smartphones, oferecidos por valores abaixo da média de mercado:

  • Clonagem de identidade visual: Criação de perfis e páginas que replicavam a comunicação visual e o nome de uma loja de telefonia de grande porte.

  • Cenário simulado para postagens: Montagem de um espaço na residência do casal, em São Paulo, decorado com caixas vazias de celulares, etiquetas e fitas de envio. No local, eram gravados vídeos e tiradas fotos para simular o processo de embalagem e envio dos produtos.

  • Captação de pagamentos: Transmissão de falsa segurança aos compradores para induzir a realização de transferências financeiras antes do envio dos aparelhos, que nunca eram entregues.

Ação policial e enquadramento legal

A ofensiva foi cumprida no estado de São Paulo com o apoio da Polícia Civil do Estado de São Paulo (PCSP) e da equipe de inteligência de uma plataforma de vendas online. Durante a ação, os agentes cumpriram dois mandados de prisão preventiva e quatro mandados de busca e apreensão, resultando no recolhimento de dispositivos eletrônicos e dos materiais do cenário fictício, além do bloqueio judicial cautelar de R$ 20 mil em contas bancárias associadas ao grupo.

Os investigados foram enquadrados no Artigo 171, § 2º-A, do Código Penal (Fraude Eletrônica), que prevê pena de 4 a 8 anos de reclusão e multa. Segundo a PCDF, enquanto a estudante não apresentava registros criminais anteriores, o companheiro já responde a processo pelo mesmo tipo de infração no Rio Grande do Sul. O material apreendido passará por perícia para identificar a extensão dos danos e novas vítimas do grupo em diferentes estados.

Tags:
Compartilhar Post: