A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) desarticulou uma organização criminosa composta por policiais civis e um influenciador digital acusados de simular uma operação policial para roubar 30 quilos de ouro e R$ 800 mil em espécie. O crime ocorreu no dia 29 de março deste ano, em uma residência no bairro Caçari, em Boa Vista (RR). O planejamento da ação armada utilizava um grupo no aplicativo WhatsApp denominado “Planos de ficar rico.com”.
Segundo o inquérito policial, o influenciador digital Ivan Luiz Bastos Guimarães (“Itz Ivan”) atuou como mentor intelectual e fingiu ser vítima durante o assalto no imóvel de sua propriedade. A invasão contou com a participação do delegado da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) John Allan Cunha Castilho e dos investigadores Diego Gabriel Rodrigues de Araújo (PC-AM) e Marcelo Henrique de Araújo Sobral (PC-RR), que utilizaram distintivos, fardamentos oficiais e uma viatura descaracterizada para render os ocupantes.
A apuração identificou a participação de oito pessoas no esquema, com papéis divididos entre a execução da abordagem, suporte logístico para a fuga e ocultação dos valores roubados. O ouro subtraído foi negociado com apoio de familiares dos envolvidos, e parte dos recursos desviados foi utilizada para a aquisição de bens imobiliários de alto valor.
A divisão dos investigados e a situação jurídica do grupo estruturam-se da seguinte forma:
Ivan Luiz Bastos Guimarães (“Itz Ivan”): Apontado como mentor intelectual; preso.
John Allan Cunha Castilho: Delegado da PC-AM, apontado como articulador e apoio na fuga; preso.
Diego Gabriel Rodrigues de Araújo: Investigador da PC-AM, atuou na invasão armada; preso.
Marcelo Henrique de Araújo Sobral: Investigador da PC-RR, liderou a abordagem; afastado das funções e com tornozeleira eletrônica.
Guilherme Santana da Silva: Executor da invasão; monitorado por tornozeleira eletrônica.
Rayana Cabral Paes: Responsável pelo reconhecimento do local e auxílio na venda do ouro; com tornozeleira eletrônica.
Ariane Cabral Paes: Criadora do grupo de planejamento; respondendo em liberdade com medidas cautelares.
Silvan André Santos da Silva: Informante ligado à equipe policial; foragido.
A farsa começou a ser desmantelada após o comprador do lote de minério denunciar o assalto às autoridades. Em nota, a defesa do delegado John Allan declarou surpresa com a decretação da prisão, negou seu envolvimento com os fatos e ressaltou seu histórico de servidor concursado sem antecedentes. Todos os citados permanecem à disposição do Poder Judiciário, resguardada a presunção de inocência no curso do processo legal.






