O colapso financeiro do Ueno Bank, banco digital que contava com cerca de 3 milhões de correntistas — equivalente a quase metade da população do Paraguai —, provocou uma onda de decepção entre investidores e empresários brasileiros instalados no país vizinho. A crise de solvência, apurada pelo Banco Central do Paraguai (BCP), foi deflagrada após a constatação de uma simulação de venda de carteiras de crédito no valor de US$ 74,4 milhões, utilizando recursos do próprio banco para ocultar um rombo patrimonial.
A instituição financeira administrava aproximadamente US$ 800 milhões em fundos de previdência pública e concentrava 10% dos depósitos do sistema bancário paraguaio, figurando como a quinta maior instituição do país.
Desdobramentos Políticos, Riscos ao Empresariado e Avaliação de Impacto
Confira a análise de especialistas e os desdobramentos operacionais no mercado regional:
-
Renúncia de Autoridades e Impeachment:
-
Cúpula do Governo: A crise resultou na renúncia do presidente do BCP, Carlos Carvallo Spalding, e do próprio presidente da República, Santiago Peña, que figurava como sócio indireto da instituição.
-
Trâmite Legislativo: O Congresso paraguaio analisa barrar a renúncia do chefe do Executivo para formalizar a cassação por meio de um processo de impeachment, buscando sinalizar rigor institucional aos mercados internacionais.
-
-
Impacto Operacional e Risco Sistêmico:
-
Sólida Posição Privada: Segundo Fabio Fustagno, presidente da Câmara de Comércio Paraguai-Brasil, a maioria das empresas brasileiras operantes no país não mantinha depósitos diretos na instituição, limitando o risco de contaminação financeira e bancária direta.
-
Desafios de Folha de Pagamento: Os principais gargalos no curto prazo concentram-se na operacionalização de pagamentos e transferências eletrônicas para funcionários de baixa renda e servidores públicos, público predominantemente atendido pelo banco digital.
-
Expectativa de Mercado: Analistas geopolíticos da Fundação Dom Cabral (FDC) destacam que o empresariado adota uma postura de “esperar para ver”, condicionando a manutenção dos investimentos à capacidade de resposta e punição legal por parte do Parlamento e do Judiciário paraguaio.
-






