O avanço da estiagem severa que assola o estado do Amazonas continua a impor graves transtornos ao transporte fluvial e ao abastecimento do interior. Na madrugada de domingo (11), por volta das 2h30, uma embarcação de passageiros e cargas que cumpria a rota entre Manaus e Maués encalhou durante a travessia pelo Paraná do Ramos, uma das principais hidrovias que atendem a calha do Baixo Amazonas. A navegação no trecho tornou-se crítica devido ao estreitamento do leito e à formação de extensos bancos de areia, obrigando os comandantes a manobrarem as embarcações a poucos metros dos barrancos e margens para encontrar profundidade mínima de flutuação.
A situação vivenciada a bordo reflete a vulnerabilidade das populações ribeirinhas e dos municípios dependentes do transporte aquaviário nesta época do ano. Registros feitos por passageiros e pela imprensa local que acompanhava a viagem revelam que a tripulação e os viajantes permaneceram horas retidos na tentativa de descalhar o barco do leito raso. A persistência da queda no nível dos rios ameaça interromper totalmente a navegação pelo canal do Paraná do Ramos nos próximos dias, o que forçará a alteração compulsória das rotas de suprimento para trajetos alternativos passando por Parintins.
Essa mudança de itinerário estenderá de forma expressiva o tempo de viagem e o percurso até a capital amazonense, gerando impactos econômicos diretos sobre os municípios de Maués e Boa Vista do Ramos. O aumento inevitável no consumo de combustível e a logística estendida encarecerão o frete de itens essenciais, como alimentos, medicamentos e combustíveis, repassando os custos ao consumidor final. Enquanto a bacia amazônica aguarda a regularização do regime de chuvas, moradores e comerciantes locais seguem apreensivos diante do risco de desabastecimento e do encarecimento do custo de vida na região.






