51% dos universitários não concluem graduação nem três anos após o prazo no Brasil

Percentual de evasão inicial é o dobro da média da OCDE, aponta o relatório anual. Principal causa da evasão é a baixa qualidade do ensino básico, segundo especialistas em educação.

BRASIL – Mais da metade dos universitários brasileiros não concluem o curso nem três anos após o prazo previsto, segundo o novo relatório Education at a Glance, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado nesta terça-feira (9). O estudo mostra que, para cada 100 estudantes que ingressaram em uma graduação de quatro anos em 2021, apenas 38% devem se formar em 2024, dentro do prazo ideal, e 51% ainda estarão sem diploma mesmo em 2027. A evasão atinge 25% já no primeiro ano do curso, o dobro da média da OCDE, que é de 13%.

Comparando com outros países, a média da OCDE indica que 43% concluem a graduação no prazo e 30% ficam sem concluir mesmo três anos após, índices melhores que os registrados no Brasil. Essas baixas taxas explicam por que só 24% dos jovens brasileiros de 25 a 34 anos possuem ensino superior completo, enquanto na OCDE a média é de 49%.

O relatório aponta fatores como a baixa qualidade da educação básica, dificuldades financeiras e falta de orientação profissional entre os principais motivos para os altos índices de abandono e atraso. Muitos alunos chegam à faculdade com lacunas no aprendizado do ensino médio e enfrentam problemas de adaptação à vida universitária, especialmente os que são a primeira geração da família a ingressar no ensino superior. O estudo também destaca que, no Brasil, 76% dos ingressantes tiraram ao menos um “ano sabático” após o ensino médio, bem acima da média da OCDE, de 44%.

Cursos da área de STEM (ciências, tecnologia, engenharia e matemática) têm taxa de conclusão ainda menor: só 38% terminam dentro do esperado no Brasil, contra média de 58% nos países desenvolvidos. Os cursos de saúde têm desempenho melhor, chegando a 46% de conclusão nacionalmente, segundo o levantamento.

O desempenho das mulheres é superior ao dos homens na taxa de conclusão, mas elas também são maioria entre os jovens “nem-nem”, que nem trabalham, nem estudam: em 2024, 29% das brasileiras entre 18 e 24 anos estavam fora da educação e do mercado, ante 19% dos homens. Entre os fatores que aumentam a evasão no caso das mulheres, está a gravidez precoce e o cuidado com familiares mais novos.

Mesmo com obstáculos, quem se forma no ensino superior ganha, em média, 148% a mais do que quem tem só o ensino médio. Mas apenas 1% dos brasileiros chega à pós-graduação strictu sensu, contra 16% da média da OCDE. O relatório ressalta ainda que o investimento por aluno no Brasil é de US$ 3.762 ao ano, cerca de um terço da média dos países mais desenvolvidos — efeito direto do tamanho da população e do orçamento diluído, mesmo quando o gasto total em educação, como percentual do PIB, se equipara ao de países como Suécia e Nova Zelândia.

O estudo anual Education at a Glance monitora 49 países, sendo 38 membros e 11 parceiros da OCDE, comparando indicadores de permanência, salários, investimento e rendimento escolar. Os resultados apontam para desigualdades persistentes e desafios estruturais na educação superior brasileira, com impacto direto no desenvolvimento econômico e social.

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