Acesso bloqueado por traficantes força remarcação de megaoperação da Operação na Penha; polícia relata muro improvisado em via principal

O episódio consta em documento entregue ao Supremo Tribunal Federal.

BRASIL – Durante os preparativos para nova fase da megaoperação que ocorreu em 28 de outubro no Complexo da Penha, agentes da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro descobriram que um dos acessos previstos para entrada foi fechado por traficantes com um muro improvisado, o que obrigou o adiamento da ação conforme depoimento do delegado esquadrão. O episódio consta em documento entregue ao Supremo Tribunal Federal.

O bloqueio ocorreu no morro conhecido como Fazendinha e foi identificado na véspera da operação. A barreira dificultou o planejamento original do perímetro de entrada das forças especializadas e levou à remodelação da logística de ação, segundo o delegado. Ele afirmou que mesmo com plano de entrada antecipado pela equipe, a movimentação e preparação dos criminosos, incluindo a edificação da barreira, provocaram “mudança de data”.

O relatório da operação também destaca que menos da metade dos agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) utilizaram câmeras corporais no interior da atuação: dos 128 agentes, apenas 57 usavam equipamento funcional. A justificativa apresentada foi falha técnica da empresa responsável, o que também gera questionamentos sobre transparência e cumprimento de diretrizes do tribunal para operações desse porte.

A ocorrência reacende críticas de organizações de direitos humanos e moradores da região sobre o grau de preparo das forças de segurança e a coordenação entre planejamento e execução. Moradores apontam que a presença de bloqueios, barricadas e obras improvisadas evidencia controle territorial por facções e fragilidade das rotas de entrada da polícia em comunidades densamente ocupadas.

Autoridades afirmam que seguirão com as apurações e que o planejamento posterior da operação será divulgado, com ênfase na melhoria de equipamentos e rotinas para monitoramento. O governo estadual afirmou estar revisando protocolos de ocupação e entrada em comunidades com risco elevado, citando necessidades de cooperação interagências e monitoramento contínuo.

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