A formação de um ciclone extratropical com características de “ciclone bomba” deve alterar drasticamente as condições meteorológicas no Brasil entre os dias 6 e 10 de maio, alcançando o seu ápice justamente durante o fim de semana em que se celebra o Dia das Mães. O fenômeno, impulsionado por uma queda brusca e explosiva da pressão atmosférica — superior a 24 hectopascais em um intervalo de apenas 24 horas —, organiza-se sobre o Oceano Atlântico, na altura da costa de Buenos Aires, gerando uma zona de instabilidade que, embora não avance diretamente sobre o território nacional, possui energia suficiente para projetar ventos devastadores em direção ao Centro-Sul do país.
A configuração deste sistema envolve uma frente fria que se estrutura entre a Argentina, o Paraguai e o Uruguai, atingindo o extremo sul brasileiro e provocando uma diferença de pressão atmosférica tão acentuada que resulta nas chamadas “rajadas secas”. Esses ventos de curta duração e alta intensidade podem ocorrer mesmo na ausência de precipitações, apresentando força capaz de comprometer estruturas leves, causar quedas de árvores e interferir no fornecimento de energia elétrica em diversas regiões gaúchas, catarinenses e paranaenses, além de atingir o sul do estado de São Paulo com rajadas que podem superar os 85 km/h.
No Rio Grande do Sul, as projeções da Climatempo indicam que o cenário mais crítico deve ocorrer entre quinta e sexta-feira, com ventos que podem ultrapassar a marca dos 90 km/h durante a passagem de temporais isolados. No sábado, a intensidade dos ventos deve iniciar um processo gradativo de redução, mas o domingo de Dia das Mães será marcado pela entrada de uma potente massa de ar polar, a qual derrubará as temperaturas de forma acentuada em todo o Sul e Sudeste, trazendo consigo o risco iminente de geada em áreas da Campanha e das serras gaúcha e catarinense.
Diante do potencial destrutivo das rajadas, as autoridades recomendam que a população evite o estacionamento de veículos sob árvores ou estruturas instáveis, redobrando a atenção em rodovias devido à força do vento lateral. A natureza compensatória e intensa do “ciclone bomba”, fenômeno típico do outono e inverno na América do Sul devido ao choque entre massas de ar com temperaturas opostas, exige uma vigilância constante até que o sistema se desloque totalmente para o alto-mar, garantindo que os impactos indiretos não se transformem em tragédias locais durante o feriado.






