App que vasculha ficha de pretendentes é novo aliado das mulheres contra o feminicídio

Para quem encara o risco real de um encontro virar tragédia, o acesso rápido a dados que já são públicos deixa de ser uma questão de "privacidade" e passa a ser uma estratégia vital de sobrevivência.
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Em um país que viu o número de feminicídios saltar para 1.568 casos em apenas um ano, o aplicativo Puft.ai surge como um novo método de combate às tragédias. A ferramenta utiliza Inteligência Artificial para varrer bases públicas e entregar, na palma da mão, antecedentes criminais e processos judiciais de possíveis pretendentes. Para quem encara o risco real de um encontro virar tragédia, o acesso rápido a dados que já são públicos deixa de ser uma questão de “privacidade” e passa a ser uma estratégia vital de sobrevivência.

A plataforma cruza nomes e CPFs para gerar relatórios sobre passagens policiais e vínculos empresariais, organizando informações que muitas vezes estão escondidas sob camadas de burocracia estatal. Enquanto desenvolvedores defendem que o app apenas centraliza o que a lei já permite acessar, especialistas em proteção de dados levantam questionamentos sobre a LGPD. No entanto, diante de um cenário onde o “desconhecido” pode representar uma ameaça letal, o questionamento que o Puft.ai levanta é outro: o direito à preservação da vida não deveria ser a prioridade máxima, acima de qualquer burocracia digital?

Embora críticos falem em “presunção de inocência”, as usuárias buscam apenas a “presunção de segurança”. O aplicativo não condena, mas informa, permitindo que a decisão de seguir em frente em um relacionamento seja baseada em fatos, não em aparências. No fim das contas, em uma era de perfis fakes e abusadores camuflados em aplicativos de namoro, ferramentas como essa podem ser o diferencial entre um encontro casual e um boletim de ocorrência — ou algo pior.

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