A Polícia Civil concretizou, na manhã desta quinta-feira, a prisão da empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, principal investigada por submeter uma empregada doméstica de 19 anos, grávida de cinco meses, a uma sessão de tortura e agressões físicas em Paço do Lumiar. A detida foi localizada em Teresina, no Piauí, em uma ação que a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) classificou como interceptação de fuga, após a suspeita ter abandonado a sua residência na Região Metropolitana de São Luís para evitar o cumprimento do mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça maranhense.
O inquérito, conduzido pela 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy, detalha um cenário de extrema perversidade motivado por uma acusação infundada de furto de joias. Segundo o depoimento da vítima, ela foi alvo de socos, murros e puxões de cabelo, sendo derrubada ao chão enquanto tentava desesperadamente proteger a barriga das agressões. A jovem relatou que, mesmo após o objeto supostamente desaparecido ter sido encontrado em um cesto de roupas sujas da própria residência, a empresária — auxiliada por um homem ainda não identificado — deu continuidade às agressões e proferiu ameaças de morte para evitar que o crime fosse denunciado às autoridades.
A investigação também lançou luz sobre as condições degradantes de trabalho às quais a doméstica era submetida. O relato aponta para uma jornada exaustiva de segunda a sábado, com apenas 30 minutos de intervalo, onde a jovem acumulava as funções de limpeza, cozinha e cuidados com uma criança de seis anos, recebendo pagamentos fracionados que totalizaram apenas R$ 750. A defesa de Carolina Sthela nega a intenção de fuga, sustentando que a viagem ao Piauí teria como objetivo deixar o filho sob os cuidados de pessoas de confiança, mas a narrativa foi confrontada pela ausência da investigada durante as diligências policiais de intimação realizadas no dia anterior.
O governador do Maranhão, Carlos Brandão, utilizou os canais oficiais para confirmar a prisão e garantir que a vítima está recebendo assistência integral do Estado. Enquanto a empresária aguarda os trâmites para ser recambiada ao sistema prisional maranhense, a Polícia Civil intensifica as buscas para identificar o segundo agressor mencionado no depoimento. O caso, que gerou forte indignação popular, tramita sob rigorosa vigilância do Ministério Público, que analisa não apenas o crime de tortura, mas também as graves violações trabalhistas e o risco iminente imposto à integridade do feto durante as agressões.






