O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), contestou publicamente a veracidade de uma fotografia onde aparece ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”. Em transmissão realizada nesta quinta-feira, 16 de julho, o parlamentar afirmou que o registro é fruto de manipulação por Inteligência Artificial (IA) e ironizou a composição da imagem, apontando o que chamou de um erro anatômico grosseiro na computação gráfica.
A imagem em debate foi divulgada pelo portal ICL Notícias e, teoricamente, flagra o político e o investigado em um hotel na zona sul do Rio de Janeiro, no ano de 2022. Flávio utilizou as redes sociais para rebater o impacto político do vazamento:
“Manipularam recentemente uma foto aí, eu estava lá sem camisa de óculos escuros, queimadão de praia, do lado de um cara ali que tinha um dedo mindinho de 20 centímetros. Quando fizeram a IA, esqueceram de cortar o dedo do cara”, declarou o senador.
Laudos Digitais Rebatem Tese de Manipulação
Apesar da justificativa do parlamentar, o portal responsável pela publicação original informou que submeteu o arquivo a uma rígida auditoria técnica em parceria com o CLIP (Centro Latino-americano de Investigación Periodística).
A imagem passou por varreduras em cinco ferramentas distintas de detecção de algoritmos de inteligência artificial, além do software de verificação InVID, especializado em identificar montagens jornalísticas. Nenhum dos testes apontou vestígios de edição, adulteração ou pixelização artificial.
Anteriormente, o próprio Flávio Bolsonaro havia adotado uma linha de defesa diferente, alegando que, caso o registro fosse de fato real, tratava-se apenas de mais uma das centenas de fotos casuais que tira diariamente com eleitores e desconhecidos em locais públicos.
O Elo com o Caso Banco Master
A aparição da foto de “Sicário” com o senador ocorre dois meses após o vazamento de mensagens trocadas entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Nos diálogos, o congressista intermediou o pedido de R$ 134 milhões junto ao empresário para financiar o filme “Dark Horse”, produção cinematográfica que reconta a biografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O senador confirmou a autenticidade das mensagens na ocasião, classificando a busca de recursos como uma captação de patrocínio privada legítima e garantindo que os valores foram integralmente investidos na película. O relacionamento comercial com Vorcaro teria sido rompido após parcelas do aporte deixarem de ser pagas.
Quem era Luiz Phillipi, o “Sicário”
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão faleceu no dia 6 de março deste ano, em Belo Horizonte, após atentar contra a própria vida enquanto estava sob custódia da Polícia Federal. Ele era apontado como peça central nas engrenagens operacionais de Daniel Vorcaro.
Relatórios da Polícia Federal apontam que Luiz Phillipi integrava uma organização interna apelidada de “A Turma”. Suas funções no esquema envolviam:
* Monitoramento e inteligência: Responsável direto pelo levantamento de dados estratégicos, vigilância e monitoramento de indivíduos de interesse do grupo financeiro.
* Invasão de sistemas: De acordo com a PF, o suspeito tinha acesso ilegal a redes restritas de órgãos de Estado nacionais e internacionais, realizando extrações de dados confidenciais do Ministério Público Federal (MPF), da própria Polícia Federal, e de agências estrangeiras como o FBI e a Interpol.






