O caso da cliente que esfaqueou um cabeleireiro na Barra Funda, zona oeste de São Paulo, ganhou novos contornos com a divulgação de imagens que comparam o estado do cabelo de Laís Gabriela Barbosa da Cunha antes e após o procedimento estético. As fotografias, que circulam como peça central na compreensão da motivação do crime, expõem a alteração drástica na franja da agressora, elemento que transformou uma satisfação inicial em uma obsessão violenta, culminando em uma tentativa de homicídio motivada por uma suposta insatisfação com o corte realizado pelo profissional Eduardo Ferrari.
A investigação aponta que, embora Laís tenha manifestado contentamento imediato e chegado a publicar elogios públicos ao trabalho do cabeleireiro logo após o atendimento em 7 de abril, o seu comportamento sofreu uma mutação radical cerca de uma semana depois. A cliente passou a inundar o profissional com mensagens de ameaça e exigências de reembolso, comparando o novo visual ao personagem “Cebolinha” e alegando que o uso de uma tesoura-navalha teria causado danos irreparáveis; entretanto, a defesa da vítima sustenta que as imagens atuais mostram uma franja consideravelmente mais curta do que a deixada pelo salão, sugerindo que a própria mulher possa ter alterado o corte em casa antes de desferir o ataque.
O momento do atentado, registrado integralmente por câmeras de segurança, mostra a frieza com que a mulher sacou uma faca da bolsa e atingiu o profissional pelas costas, sendo contida apenas pela intervenção rápida de outros funcionários que presenciaram a cena. Enquanto o cabeleireiro se recupera dos ferimentos, a sua defesa técnica reitera que não houve qualquer intercorrência química ou dano à saúde capilar da cliente, classificando a reação como desproporcional e criminosa, baseada em uma percepção estética subjetiva que evoluiu para um quadro de agressividade extrema.
O caso, inicialmente registrado como lesão corporal e ameaça no 91º Distrito Policial (Ceasa), segue sob análise do Juizado Especial Criminal, enquanto o debate sobre a segurança de profissionais do setor de beleza ganha força diante da banalização da violência por motivos fúteis. As autoridades agora confrontam os depoimentos e as evidências visuais para determinar se a autolesão e as queixas de Laís foram arquitetadas para justificar o ato violento, em um episódio que escancara como uma simples insatisfação com o espelho pode transbordar para um cenário de terror no ambiente de trabalho.






