Investigação expõe trituração de pintinhos recém-nascidos no Sul do Brasil

Tecnologia de sexagem in ovo evita a eclosão e o descarte dos animais, mas custos e falta de regulamentação atrasam adesão no país.

Uma investigação conduzida pela organização Mercy For Animals (MFA) em um incubatório de grande porte na Região Sul do Brasil documentou a morte por trituração mecânica de aproximadamente 35 mil pintinhos machos recém-nascidos em um único dia. A prática é adotada pela indústria de ovos porque os animais do sexo masculino não põem ovos e não possuem aptidão genética para a produção de carne, sendo separados e descartados poucas horas após o nascimento. A entidade alega que a prática infringe o bem-estar animal e gera dor e sofrimento físico, ressaltando que o método nem sempre causa a morte imediata das aves.

Como alternativa ao abate, entidades do setor apontam a tecnologia de sexagem in ovo, método que identifica o sexo do embrião ainda durante o período de incubação e permite descartar os ovos masculinos antes da eclosão. Utilizado em países da União Europeia e respaldado por proibições legais em nações como Alemanha e França, o sistema começou a operar no Brasil em julho de 2025, na cidade de Nova Granada (SP). No entanto, o custo de implementação — que gera um adicional estimado entre R$ 5 e R$ 10 por ave — ainda é apontado como o principal obstáculo financeiro para a ampliação da escala no mercado nacional.

Apesar de pesquisas indicarem que mais de 70% dos consumidores brasileiros rejeitam o abate de pintinhos e demonstram disposição para absorver a variação do preço final do produto, o país ainda não possui norma federal específica que restrinja a prática. O tema tramita na Câmara dos Deputados por meio dos Projetos de Lei 783/2024 e 3034/2026. Diante do quadro apurado, a MFA informou que formalizará uma denúncia junto ao Ministério Público para que os órgãos de fiscalização avaliem o cumprimento das diretrizes de proteção e prevenção à crueldade animal

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