BRASIL – Exames de rastreamento para câncer colorretal triplicaram no Sistema Único de Saúde (SUS) nos últimos dez anos. A campanha Março Azul divulga os dados nesta terça-feira (24). O período analisado vai de 2016 a 2025 em todo o território nacional.
A pesquisa de sangue oculto nas fezes saltou de 1.146.998 para 3.336.561 procedimentos. O crescimento alcançou 190% no intervalo. São Paulo lidera com o maior volume absoluto de testes realizados na rede pública estadual. O exame identifica hemácias microscópicas nas fezes sem sintomas visíveis da doença.
As colonoscopias aumentaram de 261.214 para 639.924 no mesmo período de uma década. O avanço registrou 145% na oferta do procedimento endoscópico. O método permite visualização direta do cólon e remoção imediata de pólipos pré-cancerosos durante a consulta ambulatorial.
A campanha Março Azul ocorre desde 2021 com organização da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed). Autoridades municipais, estaduais e federais iluminam prédios públicos em azul durante o mês. Mutirões de rastreamento acontecem em unidades básicas de saúde de capitais e interior. Escolas e ruas recebem ações educativas sobre prevenção do câncer intestinal.
O presidente da Sobed, Eduardo Guimarães Hourneaux, credita o aumento à conscientização populacional. Pessoas deixam de adiar consultas de rotina no posto de saúde local. O pico de exames concentra-se em março por influência direta da campanha nacional. O câncer colorretal atinge mais de 50 mil brasileiros por ano sem sintomas iniciais evidentes.
O rastreamento inicia-se aos 45 anos para população assintomática de risco médio no SUS. A pesquisa de sangue oculto nas fezes repete-se anualmente com coleta simples em posto de saúde. Colonoscopia realiza-se a cada dez anos se o teste de fezes der negativo sucessivamente. Fatores de risco incluem idade acima de 50 anos, histórico familiar e obesidade abdominal.
O Ministério da Saúde disponibiliza os exames gratuitamente em 5.570 municípios brasileiros conveniados. O Datasus registra crescimento expressivo nos últimos cinco anos por ampliação de endoscopistas na atenção básica. A doença representa segunda maior causa de morte por câncer no Brasil com detecção precoce elevando sobrevida em 90% dos casos diagnosticados no início.





