BRASIL – Investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) detalharam o funcionamento de duas células de inteligência ligadas à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Os núcleos operavam com a função específica de mapear a rotina e planejar atentados contra o promotor de Justiça Lincoln Gakiya e contra o coordenador de presídios da Região Oeste do estado, Roberto Medina.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público aponta a divisão de tarefas entre quatro operadores encarregados do levantamento de dados no interior paulista:
Núcleo de Operações e Monitoramento
– Victor Hugo da Silva (“VH” ou “Falcão”): Apontado como o executor operacional em campo. Realizava vigilância física em frente às residências, acompanhava os deslocamentos diários dos agentes e fotografava inclusive a rotina de familiares em locais de trabalho. Foi preso com entorpecentes em julho de 2025.
– Wellison Rodrigo Bispo de Almeida (“Corinthinha”): Atuava como operador logístico e elo de ligação. Recebia os relatórios e imagens capturados em campo para repassá-los ao setor conhecido como “Sintonia Restrita”, divisão da facção incumbida de executar ordens de homicídio de grande impacto. Foi detido em agosto de 2025.
Núcleo de Mapeamento Técnico e Ocultação
– Sérgio Garcia da Silva (“Messi” ou “Serginho”): Mantinha imóvel estratégico em Presidente Prudente voltado ao acompanhamento da rotina de Lincoln Gakiya. A perícia em seus dispositivos revelou negociações de armamento de grosso calibre, além de mapas digitais com trajetos e coordenadas exatas da sede do Ministério Público e do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep).
– Adilson Audinir Oliveira Junior (“Ju Machado”): Responsável por dar suporte técnico à célula, atuando na eliminação de vestígios digitais e no apagamento remoto de dados incriminatórios armazenados em contas e dispositivos dos demais integrantes.
Uso de Drones e Conexão com Outros Atentados
Conforme os autos do processo, as estratégias de vigilância contra os agentes públicos ultrapassaram a observação terrestre. Em depoimentos anteriores, Lincoln Gakiya relatou o uso de drones pela organização criminosa sobrevoando as imediações de sua residência, além do aluguel de imóveis situados a menos de um quilômetro de seu endereço.
O Ministério Público associa a intensificação do monitoramento à ordem emitida pelo comando da facção que culminou na execução do ex-delegado-geral da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes, em setembro de 2025, ocasião em que os nomes de Gakiya e Medina figuravam na mesma diretiva de ataque.
Situação Processual dos Envolvidos
Em desdobramentos recentes do processo, a 3ª Vara Criminal de Presidente Prudente manteve a prisão de integrantes da célula, rejeitando recursos para recorrer em liberdade diante do risco de retomada das atividades ilícitas e de reincidência criminosa. O MP-SP requereu a condenação definitiva de todos os denunciados e a manutenção da custódia cautelar para impedir o envio final das informações de inteligência à cúpula da organização.






