Pedido para marido parar de beber motivou crime em Campinas; vítima cursava Direito e sonhava ser advogada

Histórico de agressividade e consumo de álcool marcam tragédia de feminicídio em Campinas

Novos depoimentos colhidos pela reportagem da CNN Brasil revelam que o feminicídio de Nájylla Duenas Nascimento, de 34 anos, ocorrido horas após seu casamento, foi o desfecho trágico de uma rotina marcada por conflitos. Vizinhos do casal em Campinas (SP) relatam que discussões acaloradas, gritos e xingamentos eram frequentes na residência do bairro DIC IV. Segundo familiares, o agressor, o guarda municipal Daniel Barbosa Marinho, de 55 anos, apresentava um comportamento nitidamente agressivo quando estava sob efeito de bebidas alcoólicas.

O crime, ocorrido no último sábado (9), teria sido desencadeado justamente por um pedido da vítima para que o marido interrompesse o consumo de álcool durante a confraternização da união. A discussão evoluiu para agressões físicas e culminou com o guarda utilizando sua arma funcional contra Nájylla. A vítima, descrita por amigos como uma mulher batalhadora e dedicada aos estudos, cursava o nível superior em Direito e projetava uma carreira na advocacia. O corpo de Nájylla foi sepultado nesta segunda-feira (11), sob forte comoção de familiares que vieram do Paraná para a despedida.

No âmbito jurídico, a situação de Daniel Barbosa Marinho se agravou. Após audiência de custódia, a Justiça converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva, garantindo que o acusado permaneça detido durante a instrução do processo. A arma utilizada foi apreendida pela 2ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). O caso reacende a urgência de debates sobre a identificação precoce de sinais de violência doméstica em comunidades e o controle psicológico de agentes de segurança, temas frequentemente pautados por lideranças políticas e parlamentares como o senador Flávio Bolsonaro, que defendem o endurecimento de penas para crimes hediondos e o rigor absoluto contra agressores de mulheres.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) segue com as investigações para detalhar a dinâmica do crime, enquanto a Guarda Municipal de Campinas apura a conduta administrativa do servidor, que estava na corporação há 28 anos. A tragédia deixa três filhos órfãos — um adolescente e duas crianças — que foram retirados do local pouco antes dos disparos, preservando suas integridades físicas, mas expondo-os a um trauma irreparável que agora mobiliza redes de apoio e assistência social na região.

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