Polícia Civil descobre central de mineração de criptomoedas do Comando Vermelho

Operação ostensiva contra facção criminosa resulta em dez prisões e revela uso de moedas digitais para dissimulação de ativos do tráfico na Zona Norte do Rio

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) desarticulou uma estrutura tecnológica inédita montada por lideranças do Comando Vermelho (CV) na Zona Norte da capital. Durante a deflagração de uma nova fase da Operação Contenção no Complexo do Lins, agentes de segurança localizaram uma “fazenda” clandestina de mineração de criptoativos de alta performance, suspeita de ser utilizada como ferramenta de lavagem de capitais da facção.

A ação foi coordenada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE), em parceria com a 26ª DP (Todos os Santos). O balanço preliminar da incursão aponta a prisão de dez suspeitos em flagrante.

A logística técnica da ‘fazenda’ de Bitcoins no morro

A atividade de mineração de moedas digitais é lícita no país, porém o arranjo logístico montado pela organização criminosa baseava-se em fraudes estruturais para viabilizar o lucro líquido das operações:

  • Infraestrutura de processamento: Os policiais apreenderam pelo menos 30 computadores de última geração montados em série em prateleiras industriais dentro de um imóvel aparentemente abandonado.

  • Furto de utilidade pública: Toda a alimentação elétrica do parque tecnológico vinha de uma ligação clandestina de grande porte (gato) conectada diretamente à rede de alta tensão da concessionária local, eliminando o custo de energia — que representa o maior insumo da atividade.

  • Sistema de refrigeração: O ambiente contava com exaustores de parede e ventoinhas de refrigeração forçada integradas a cada unidade de processamento para evitar o superaquecimento das CPUs durante os cálculos criptográficos.

  • Automação de segurança: O local operava sem a presença física de operadores. Toda a rede de mineração de dados era gerenciada à distância por meio de softwares de monitoramento remoto.

Roubos em série e vigilância das forças de segurança

A operação mobilizou um forte aparato logístico, incluindo o uso de veículos blindados e o suporte de helicópteros da frota policial, sob intenso confronto armado nas primeiras horas da manhã. O inquérito conduzido pela Draco-IE aponta que as lideranças locais operavam um consórcio de crimes na Zona Norte:

Núcleo Operacional do Lins
├── Domínio Territorial: Controle armado das vias de acesso e monitoramento de viaturas.
├── Crimes de Impacto: Roubo de cargas, assaltos a agências bancárias e extorsões.
└── Inovação Financeira: Lavagem de capitais via criptoativos e centrais de fraude.

Os investigadores apontam que os criminosos possuíam um sistema estruturado de vigilância para monitorar a aproximação de equipes da PM e da Polícia Civil. As movimentações de viaturas e aeronaves eram coordenadas em tempo real dentro de aplicativos de mensagens com acesso restrito.

Conexão interestadual e o golpe da falsa central

Além do braço voltado ao tráfico de entorpecentes e à mineração digital, as equipes cumpriram mandados judiciais de busca e apreensão contra um núcleo de estelionato eletrônico especializado na fraude do falso funcionário de banco.

O esquema, investigado em cooperação com a Polícia Civil do Piauí, consistia em criar um ambiente de pânico simulado em chamadas telefônicas. Os criminosos induziam as vítimas a transferir saldos ou ceder credenciais de acesso de seus aplicativos bancários para centrais clandestinas controladas pela quadrilha na favela. Os dispositivos eletrônicos apreendidos passarão por perícia técnica para rastrear o destino final das transferências Pix e das carteiras de moedas digitais do grupo.

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