Policial e mestre de jiu-jítsu Melqui Galvão perde cela especial em Manaus e é enviado para São Paulo sob acusação de pedofilia

A remoção, autorizada pelo Judiciário, ocorre após o avanço das investigações conduzidas pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Paulo, que desvendaram um padrão de conduta predatória contra alunas e atletas do treinador.
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O lutador e instrutor de defesa pessoal da Polícia Civil do Amazonas, Melquisedeque de Lima Galvão Ferreira, amplamente conhecido no cenário esportivo como Melqui Galvão, foi transferido nesta quinta-feira (7) para o estado de São Paulo, onde deve responder por uma série de denúncias de abuso sexual. Até o momento da transferência, o servidor público usufruía da prerrogativa de custódia em uma cela especial na Delegacia Geral (DG), em Manaus, devido ao seu cargo na instituição. A remoção, autorizada pelo Judiciário, ocorre após o avanço das investigações conduzidas pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Paulo, que desvendaram um padrão de conduta predatória contra alunas e atletas do treinador.

O inquérito policial detalha relatos estarrecedores de ao menos três vítimas, incluindo uma adolescente de 17 anos que reside nos Estados Unidos e denunciou atos libidinosos não consentidos ocorridos durante uma competição internacional. A gravidade do caso escalou com a identificação de outras duas possíveis vítimas em diferentes estados, sendo que uma delas afirmou ter sofrido os abusos quando possuía apenas 12 anos de idade. Segundo as autoridades paulistas, os denunciantes apresentaram provas robustas, incluindo uma gravação em que Melqui admitiria indiretamente os fatos e tentaria subornar as famílias com compensações financeiras para evitar a formalização das queixas.

A prisão temporária de Melqui Galvão foi decretada após o cruzamento de informações entre as polícias civis de São Paulo e do Amazonas. O treinador, que é uma figura influente no jiu-jítsu mundial e pai de atletas de elite, havia retornado a Manaus menos de 24 horas antes da deflagração da operação. Além da restrição de liberdade, a Justiça determinou o cumprimento de mandados de busca e apreensão em propriedades ligadas ao investigado na cidade de Jundiaí (SP). Paralelamente, o governo do Amazonas confirmou o afastamento cautelar de Melqui de suas funções na Polícia Civil, onde atuava no setor de capacitação e treinamentos táticos.

A transferência para o sistema prisional paulista marca uma nova fase no processo, que já conta com a cobrança pública de familiares e atletas de renome por uma punição exemplar. A Polícia Civil do Amazonas informou que continuará colaborando com as apurações e colhendo depoimentos locais para verificar se houve a prática de crimes semelhantes nas academias sob gestão do investigado em Manaus. O caso reacende o debate sobre a proteção de menores em ambientes esportivos de alto rendimento e a urgência de mecanismos de controle mais rigorosos para impedir que cargos públicos e posições de autoridade técnica sejam utilizados como escudo para a prática de crimes de natureza sexual.

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