Um relatório divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revelou que cerca de 20 milhões de crianças e adolescentes em 21 países sofreram violência ou exploração sexual facilitada por tecnologias digitais no período de um ano. O documento estima que 15 milhões de jovens foram expostos a conteúdos sexuais indesejados, enquanto 9 milhões foram coagidos a manter conversas de teor sexual ou enviar imagens íntimas e 4 milhões tiveram fotos vazadas.
De acordo com o levantamento, mais de 40% das ocorrências não foram denunciadas pelas vítimas por falta de orientação ou desconhecimento dos canais de apoio. As redes sociais e aplicativos de mensagens concentram cerca de 60% dos registros de violação, seguidos por jogos online, que somam 14%. A pesquisa revelou ainda que 57% dos abusos foram cometidos por pessoas conhecidas e do convívio da vítima, desmistificando a ideia de que a violência digital é praticada predominantemente por estranhos.
No cenário brasileiro, o estudo indicou que 19% dos entrevistados relataram ter sido afetados por esse tipo de violência, totalizando quase 3 milhões de crianças e adolescentes. No país, 55,5% dos episódios ocorreram por meio da internet e 24,5% no ambiente escolar, sendo o Instagram e o WhatsApp apontados como as principais plataformas utilizadas pelos agressores.






