Rota para Manaus: polícia interrompe fuga de empresária acusada de torturar doméstica gestante

Carolina Sthela também apresentou uma tese de vulnerabilidade ao afirmar que está no terceiro mês de gestação
rota-para-manaus-policia-inter

A transferência da empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos para a Central de Custódia em São Luís, ocorrida nesta sexta-feira (8), encerra a primeira fase de uma caçada interestadual que mobilizou as polícias do Maranhão e do Piauí. Capturada enquanto abastecia o seu veículo em Teresina, Carolina é o alvo central de uma investigação de alta complexidade que apura a tortura e a tentativa de homicídio contra uma jovem doméstica de 19 anos, também gestante. O setor de inteligência da Polícia Civil do Piauí confirmou que a suspeita estava sob vigilância rigorosa após a descoberta de um plano de evasão que incluía um voo em aeronave não comercial com destino final em Manaus.

O delegado Yan Brayner, diretor de inteligência piauiense, detalhou que o monitoramento foi crucial para evitar que a investigada deixasse a região. A hipótese de fuga para a capital amazonense é um dos pilares da investigação sobre a tentativa de obstrução da justiça, contrastando com a versão da defesa de que a viagem ao Piauí serviu apenas para o acolhimento do filho da acusada por familiares. A urgência da prisão preventiva foi reforçada pela conduta de Carolina, que, segundo a polícia, contratou uma nova funcionária às pressas logo após o crime, em uma aparente tentativa de manter a rotina doméstica enquanto articulava a sua saída do estado.

No campo jurídico, a Polícia Civil do Maranhão elevou o rigor da acusação, tipificando o caso como tentativa de homicídio triplamente qualificado. A autoridade policial sustenta que houve dolo na conduta da empresária, agravada pelo motivo torpe — o suposto sumiço de uma joia de R$ 5 mil —, pelo emprego de meio cruel e pela total impossibilidade de defesa da vítima. Além disso, o inquérito abrange os crimes de cárcere privado e crimes contra a honra. Em seu depoimento, a acusada evitou confirmar a autenticidade de áudios que circulam com confissões detalhadas das agressões, solicitando perícia técnica no material fonográfico.

Carolina Sthela também apresentou uma tese de vulnerabilidade ao afirmar que está no terceiro mês de gestação e sofre de complicações de saúde, como hipertensão e infecção urinária. Contudo, a Polícia Civil aguarda a conclusão de exames oficiais para validar tais alegações. Após passar por exame de corpo de delito e prestar depoimento na 21ª Delegacia de Polícia Civil (Araçagy), a empresária aguarda agora a audiência de custódia. O desfecho do caso é acompanhado com atenção em Manaus, destino que serviria de refúgio para a acusada e que agora aguarda os desdobramentos judiciais de um crime que estarreceu o Norte e o Nordeste do país.

Tags:
Compartilhar Post: