BRASIL – Macário Júdice Neto é desembargador federal do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) e foi preso pela Polícia Federal no desdobramento da Operação Unha e Carne 2, que apura vazamento de informações sigilosas para integrantes do Comando Vermelho. Ele é o relator do processo que envolve o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos, conhecido como TH Joias, acusado de tráfico internacional de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro e fornecimento de armas à facção.
O magistrado tem histórico de afastamentos e polêmicas na carreira. Em 2005, quando atuava como juiz federal no Espírito Santo, foi afastado por decisão do próprio TRF-2 em uma ação penal que investigava suspeita de venda de sentenças e ligação com esquema ligado à máfia dos caça-níqueis. Em 2015, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) suspendeu decisão que havia aplicado a aposentadoria compulsória, permitindo que ele permanecesse no quadro da magistratura, embora afastado.
Após cerca de 17 anos fora das funções, o CNJ decidiu, em 2022, que o prazo para julgamento do processo disciplinar tinha sido extrapolado e determinou sua reintegração. Em 2023, Macário foi promovido a desembargador do TRF-2 por antiguidade, em escolha unânime do tribunal, com indicação encaminhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na nova fase da Operação Unha e Carne, a PF cumpriu mandado de prisão preventiva contra o desembargador, expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A investigação investiga se houve vazamento de dados sigilosos de investigações e processos que beneficiariam o Comando Vermelho e pessoas ligadas à facção, incluindo TH Joias e o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar, que já havia sido preso em etapa anterior da operação.





