O tambaqui, um dos peixes mais emblemáticos e fundamentais para a economia e alimentação na Região Norte, entrou oficialmente na lista da fauna aquática brasileira ameaçada de extinção. A inclusão ocorreu sob a categoria “Vulnerável” por meio da Portaria nº 1.666 do Ministério do Meio Ambiente. A medida reflete o impacto de décadas de superexploração e acende um sinal de alerta vermelho para o setor pesqueiro da Amazônia.
A decisão governamental baseia-se em pesquisas que indicam uma queda severa na presença da espécie nos rios da região, além de falhas no monitoramento da cadeia produtiva:
-
Declínio Populacional: Estudos apontam redução de cerca de 43% na população selvagem do tambaqui ao longo de três gerações.
-
Fatores de Risco: Pesca predatória e excessiva ao longo das últimas décadas, aliada à carência de dados consolidados sobre a produção em aquicultura.
-
Prazo Limite: O governo federal fixou prazo até o fim de outubro para a aprovação de um plano oficial de recuperação. Caso as metas não sejam estabelecidas, a pesca do tambaqui poderá ser proibida em todo o território nacional.
Apesar do alerta ambiental, a medida gera intensos debates entre pesquisadores e representantes do setor produtivo. Há divergências quanto aos dados utilizados na avaliação oficial, pois levantamentos preliminares indicam que 61% dos exemplares vivem fora de áreas protegidas. Críticos apontam que o mapeamento não contabilizou adequadamente as populações presentes em unidades de conservação e terras indígenas, onde a preservação é maior.
Uma eventual proibição total da captura pode causar forte impacto socioeconômico na Amazônia, afetando diretamente a renda e a segurança alimentar de milhares de famílias de pescadores artesanais e ribeirinhos que dependem da espécie.






