A bola finalmente rolou para a maior Copa do Mundo da história, e o primeiro dia de competições entregou exatamente o que se espera de um torneio desse porte: paixão nas arquibancadas, zebras táticas no gramado, polêmicas de arbitragem e uma pitada de nostalgia. Se o futebol apresentado no jogo de abertura deixou a desejar, a mística do palco e a emoção dos confrontos seguintes compensaram o torcedor.
O renascimento de um templo do futebol
O grande destaque da quinta-feira (11) não vestia chuteiras. O lendário Estádio Azteca, palco que coroou Pelé em 1970 e eternizou Maradona em 1986, provou por que é um dos maiores monumentos do esporte. Tomado por uma multidão vibrante, o estádio foi uma festa de cores, lágrimas de emoção e, claro, a tradicional “ola” — coreografia que ganhou o mundo justamente ali, há 40 anos, na Copa de 1986.
Apesar da atmosfera mágica exterior, o duelo entre México e África do Sul foi tecnicamente fraco. O inchaço do torneio para 48 seleções começa a dar sinais de disparidade técnica. Ainda assim, os donos da casa compensaram a falta de brilhantismo com entrega física.
Placar da Abertura (Grupo A)
🇲🇽 MÉXICO 2 (Quiñones 1ºT / Jiménez 2ºT)
🇿🇦 ÁFRICA DO SUL 0
Recorde de expulsões e Wilton Sampaio vira meme
A partida de abertura entrou para a história dos Mundiais por um motivo incomum: a disciplina. O árbitro brasileiro Wilton Pereira Sampaio quebrou um recorde ao aplicar três cartões vermelhos em um jogo de estreia — mandando para o chuveiro dois atletas sul-africanos e um mexicano.
A atuação rigorosa do brasileiro foi duramente criticada pelas comissões técnicas e ecoou nas redes sociais. Wilton virou piada na internet devido ao seu inglês rudimentar ao tentar explicar as decisões do VAR para os capitães das equipes no gramado. Fora do estádio, o clima também foi tenso, com registros de protestos civis e confrontos isolados entre manifestantes e as forças de segurança locais.
A Corrente Oriental em Guadalajara
Se a abertura foi travada, o segundo jogo do grupo, disputado em Guadalajara, entregou o espetáculo prometido. Após um primeiro tempo burocrático e sem criatividade, a Coreia do Sul deu um verdadeiro “vareio de bola” na Tchéquia na etapa complementar.
A equipe asiática impôs um ritmo frenético de intensa correria e toques de bola rápidos para construir a virada por 2 a 1. O grande momento do jogo foi o gol de empate sul-coreano, anotado por Hwang In-beom: o meia limpou o zagueiro, driblou o goleiro e, com extrema categoria, finalizou de cavadinha. Uma pintura candidata a gol mais bonito do torneio.
Luto no Futebol: Adeus ao Tricampeão Brito
A quinta-feira também reservou uma nota de profunda tristeza para o futebol brasileiro. Faleceu no Rio de Janeiro, aos 87 anos, o ex-zagueiro Hércules Brito Ruas. Bicampeão mundial e titular incontestável da mítica Seleção de 1970 — justamente no México —, Brito estava internado tratando uma pneumonia bacteriana severa.
Conhecido por seu vigor físico invejável e pela raça com que defendia a camisa canarinho e de gigantes como Vasco, Flamengo e Corinthians, o ex-defensor deixa um legado de ouro. Fica a expectativa para que a Seleção Brasileira preste as devidas homenagens ao ídolo em sua estreia neste fim de semana.
Com o encerramento da primeira rodada do Grupo A, as atenções se voltam para esta sexta-feira (12), com a estreia dos outros dois países sedes: o Canadá enfrenta a Bósnia em Toronto (16h), e os Estados Unidos pegam o Paraguai em Los Angeles (22h).






