Estudo aponta: crescimento da cabeça do bebê no primeiro ano influencia QI na vida adulta

O estudo lembra que fatores como tabagismo materno, infecções durante a gestação ou baixa nutrição podem prejudicar o desenvolvimento precoce do cérebro.

SAÚDE – Uma pesquisa da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), em parceria com a University of Oxford e o apoio da Umane, revela que o ritmo de crescimento do perímetro cefálico no primeiro ano de vida está associado ao quociente de inteligência (QI) aos 18 anos. O estudo foi divulgado nesta terça-feira (21) e acompanha 4 mil crianças da Coorte de Nascimentos de 1993, em Pelotas (RS). A motivação foi testar se o tamanho da cabeça ao nascer ou o quanto ela cresce primeiro ano têm impacto cognitivo no futuro.

Os dados mostram que, a cada aumento de um desvio-padrão no perímetro cefálico no primeiro ano, o QI aos 18 anos tende a subir em média 1,3 ponto. Esse efeito é mais forte quando o crescimento ocorre nos primeiros seis meses de vida, fase considerada crítica para o desenvolvimento cerebral. Se a criança nasce com medida abaixo da média, mas tem crescimento acelerado, pode reduzir a diferença prevista de QI, segundo a pesquisadora Marina de Borba Oliveira Freire, doutora em Epidemiologia pela UFPel.

O estudo lembra que fatores como tabagismo materno, infecções durante a gestação ou baixa nutrição podem prejudicar o desenvolvimento precoce do cérebro, enquanto práticas como amamentação exclusiva, estímulo adequado e vínculo afetivo favorecem crescimento saudável. A implicação para a saúde pública é que o monitoramento do perímetro cefálico e o acompanhamento infantil devem ganhar atenção na atenção básica. Os autores sugerem que políticas focadas nos primeiros meses de vida podem ter impacto real na inteligência e no desempenho futuro da população.

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