Filha abandonada na infância vence disputa contra a madrasta por herança

A decisão considerou o vínculo tardio entre pai e filha, a situação financeira dela e a dedicação à família, em um caso que terminou no Tribunal Superior de Londres.
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A britânica Emma McDaniel conseguiu na Justiça o direito a uma compensação financeira após uma disputa pela herança do pai, o empresário Mark Talbot, que a deixou quando ela tinha oito meses de idade e a excluiu formalmente do testamento. A decisão considerou o vínculo tardio entre pai e filha, a situação financeira dela e a dedicação à família, em um caso que terminou no Tribunal Superior de Londres.

Mark Talbot abandonou a filha em 1985, pouco depois do nascimento dela, e nunca chegou a conhecer o filho mais novo da mesma relação, Rhys. Ao longo dos anos, ele construiu patrimônio com investimentos imobiliários e com a venda de uma empresa de entregas, além de manter relacionamento de 36 anos com Rosemary Talbot, com quem teve outros dois filhos.

Talbot morreu em outubro de 2022, aos 63 anos, deixando um espólio avaliado em cerca de 1,75 milhão de libras, o equivalente a aproximadamente R$ 11 milhões. No testamento, elaborado em 2014, ele excluiu Emma e Rhys da herança e destinou todo o patrimônio à mulher, Rosemary.

Emma relatou que só voltou a ter contato com o pai em 2019, após um telefonema quando tinha 16 anos e décadas sem reencontro presencial. Depois da reaproximação, pai e filha passaram a ter uma relação descrita no processo como próxima, com viagens juntos, inclusive para uma casa de campo de Talbot em Portugal, mas o testamento não foi alterado.

A situação financeira de Emma pesou no processo. Aos 40 anos, ela vivia com o marido e dois filhos em uma casa de assistência social e dependia de benefícios governamentais. Os dois filhos têm deficiências, o marido enfrenta problemas cardíacos e na coluna, e Emma relatou autismo, TDAH, fibromialgia, fadiga crônica e problemas na coluna.

O pedido apresentado à Justiça buscava uma “provisão financeira razoável” a partir da herança do pai. O caso foi tratado no Reino Unido como uma disputa que envolveu não apenas aspectos legais, mas também critérios morais e sociais.

 

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