LIMA, PERU — Em uma das disputas mais polarizadas e acirradas da história recente da América do Sul, a ex-congressista Keiko Fujimori, de 51 anos, alcançou uma vantagem matemática irreversível no segundo turno das eleições presidenciais peruanas na noite de terça-feira (23 de junho de 2026). A vitória sela o retorno do “fujimorismo” ao Palácio de Pizarro, mais de duas décadas após a queda de seu pai, o ex-ditador Alberto Fujimori, que governou o país de forma autocrática entre 1990 e 2000 e faleceu em 2024.
Segundo os dados oficiais consolidados na manhã desta quarta-feira (24) pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), Keiko soma 50,118% dos votos válidos, contra 49,882% do deputado de esquerda Roberto Sánchez.
A diferença nominal a favor da candidata do partido Fuerza Popular é de pouco mais de 43.000 votos em um universo de 19 milhões de eleitores. Matematicamente, o cenário não pode mais ser alterado, uma vez que restam apenas 39.300 votos pendentes de processamento (correspondentes a 131 atas eleitorais).
Placar Final do Segundo Turno (ONPE - 99,85% apurado)
├── 🟧 Keiko Fujimori (Direita) ─────> 50,118% (Vantagem Irreversível)
└── 🟥 Roberto Sánchez (Esquerda) ───> 49,882%
Oposição alega fraude e recusa transição
O clima na capital, Lima, é de extrema tensão política. Tão logo os números definitivos foram desenhados, Roberto Sánchez convocou a imprensa para contestar a lisura do pleito. O esquerdista acusou a autoridade eleitoral e a campanha fujimorista de orquestrarem fraudes e manipulações, com foco nos votos depositados por cidadãos peruanos no exterior.
Ruptura: “Acreditamos que houve manipulação da votação. Não reconheceremos o governo de Fujimori”, disparou Sánchez, sinalizando que a oposição não facilitará a governabilidade.
Curiosamente, a vitória de Keiko também se repetiu entre os colégios eleitorais localizados em solo brasileiro. De acordo com a apuração de 100% das atas dos consulados no Brasil finalizada na semana passada, a candidata de direita obteve 55,6% dos votos (2.832), ante 44,4% (2.261) de Sánchez.
“Peru com Ordem”: Megaprisões e Juízes Sem Rosto
Esta foi a quarta tentativa consecutiva de Keiko Fujimori de chegar à presidência. Formada em Administração nos Estados Unidos, ela assumiu as funções de primeira-dama do Peru aos 19 anos, após o divórcio de seus pais, o que a inseriu precocemente na diplomacia global.
Sua plataforma eleitoral, batizada de “Peru com Ordem”, focou agressivamente no combate à crise de segurança pública. Entre suas propostas mais controversas, destacam-se:
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Megaprisões: Construção de quatro penitenciárias de segurança máxima inspiradas em modelos severos de contenção criminal.
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Juízes sem Rosto: O retorno dos julgamentos com magistrados de identidade oculta (recurso amplamente utilizado por seu pai nos anos 90 e criticado por entidades de direitos humanos por condenar inocentes).
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Ruptura com a Corte IDH: A promessa de retirar o Peru da jurisdição da Corte Interamericana de Direitos Humanos para endurecer penas de morte e punições a crimes graves.
A nova presidente assume o desafio de governar uma nação fragmentada. Ela se tornará o nono chefe de Estado a assumir o país em apenas dez anos, reflexo de uma crise crônica em que o Parlamento destituiu quatro mandatários e forçou a renúncia de outros dois desde 2016.






