Em uma reviravolta impressionante no caso que abala os bastidores de Brasília, a defesa do ministro afastado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Buzzi, adotou uma linha de argumentação contundente para rebater as graves acusações de importunação sexual. Os advogados do magistrado anexaram laudos médicos detalhados ao processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). O objetivo é comprovar que o investigado sofre de severas disfunções biológicas, o que tornaria os relatos de abusos fisicamente impossíveis.
Os documentos clínicos apontam que Buzzi apresenta um quadro de disfunção erétil de origem multifatorial, ausência completa de libido, ausência de ejaculação e hipogonadismo — uma condição médica em que os testículos produzem quantidade insuficiente de testosterona.
O confronto entre o laudo médico e o relato da vítima
A estratégia científica da defesa visa descredibilizar diretamente o depoimento de uma das denunciantes, uma jovem de 18 anos e filha de amigos do magistrado. O episódio central teria ocorrido em janeiro, durante uma viagem de férias em Balneário Camboriú (SC).
Em depoimento oficial, a vítima relatou que, enquanto estavam na água, o ministro tentou agarrá-la por três vezes e que ela pôde sentir claramente a genitália do magistrado rígida pressionando seu corpo através das roupas de banho. Os defensores sustentam que o conjunto de doenças do paciente — que inclui diabetes, hipertensão, uso contínuo de remédios e uma cirurgia prévia na próstata — impede qualquer “função sexual exacerbada”, inviabilizando a ereção descrita.
Testemunha e o cerco jurídico contra o magistrado
Além das provas médicas, os advogados também levaram aos autos o depoimento de uma testemunha ocular. Essa pessoa afirmou ter presenciado o momento em que ambos estavam no mar e garantiu que eles ficaram afastados por cerca de um metro e meio, sem qualquer contato físico, exceto quando o ministro ofereceu a mão para ajudar a jovem a sair da água.
Apesar da nova linha de defesa, o cerco contra o magistrado continua pesado nas esferas de controle do país:
Afastamento do cargo: Marco Buzzi foi afastado de suas funções no STJ em fevereiro deste ano devido à gravidade do caso.
Múltiplas frentes: Além da jovem de 18 anos, uma funcionária terceirizada do próprio STJ também formalizou uma denúncia de importunação sexual contra ele.
Três investigações: O caso corre simultaneamente no Superior Tribunal de Justiça, no Supremo Tribunal Federal e no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Em oitivas realizadas no dia 11 de junho, o STJ colheu os depoimentos de cerca de 20 testemunhas. O ministro nega todas as acusações, e os laudos apresentados agora aguardam a avaliação dos peritos judiciais.






