ANÁLISE POLÍTICA — O jornalista Reinaldo Azevedo subiu o tom nesta sexta-feira (3) ao analisar os bastidores diplomáticos e eleitorais da direita brasileira. O foco da artilharia foi uma carta enviada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) diretamente a Donald Trump e ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Segundo o colunista, o teor do documento desenha um cenário de submissão internacional jamais visto na história republicana do país.
Evocando passagens religiosas do Salmo 119 e a poesia de Caetano Veloso, Azevedo argumenta que a estratégia do clã Bolsonaro ultrapassou as barreiras da mera afinidade ideológica, transformando-se em uma “liquidação de soberania” que nem os militares golpistas de 1964 ousaram cogitar.
O “Cardápio” da Entrega: Do Pix às Terras Raras
De acordo com o texto analisado, as promessas de Flávio Bolsonaro para obter o apoio e a simpatia do governo Trump caso vença as eleições presidenciais contra o petismo tocam em pontos estratégicos e bilionários da economia e da infraestrutura nacional:
As Promessas de Flávio Bolsonaro ao Governo Trump
├── 📱 O Pix Nacional ────────> Colocar o sistema (que move até R$ 3 trilhões) a serviço de lobbies dos EUA
├── 🪨 Terras Raras ──────────> Empenhar as reservas minerais estratégicas do país ao mercado americano
├── 🌎 Fim do Mercosul ───────> Dinamitar o bloco da América do Sul para abrir espaço comercial exclusivo aos EUA
└── 💳 Cartões de Crédito ────> Desregular o mercado para favorecer operadoras e bandeiras norte-americanas
O Jogo das Tarifas e o “Povo que se Dane”
Um dos pontos mais criticados por Reinaldo Azevedo é a articulação em torno das sobretaxas comerciais. Flávio teria pedido a Trump que calibre a imposição de tarifas ao Brasil com base no calendário eleitoral: se a esquerda estiver no poder, as sanções econômicas seriam bem-vindas para desgastar o atual governo; se ele, Flávio, for o vitorioso, as taxas seriam suspensas.
“Em síntese: espere-se o pleito porque a imposição agora das sobretaxas poderia ser explorada pelo petista como um ativo político. Logo, Flávio considera a tarifa oportuna ou inoportuna a depender do poder de turno. O povo brasileiro que se dane, desde que ele próprio se dê bem”, disparou o jornalista.
Negócio Bilionário disfarçado de Ideologia
Azevedo recusa a narrativa de que as promessas do “Zero Um” façam parte apenas de uma “guerra cultural” ou alinhamento conservador global. Para o colunista, o pragmatismo é financeiro e envolve cifras astronômicas, questionando o real valor de mercado de ativos intangíveis e geográficos do Brasil.
“Tudo isso é ideologia? Desculpem devolvê-los ao chão. Trata-se de outra coisa. Quantos bilhões vale entregar as terras raras do Brasil aos EUA? E o Pix, que movimenta R$ 1,3 trilhão em meses normais? Qual o preço do Mercosul? E o da biodiversidade?”, questionou Reinaldo, classificando a postura como uma escolha “inaceitável” e de joelhos perante os interesses de Washington.






