O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato do Partido Liberal à Presidência da República nas eleições de 2026, foi impedido de concluir o envio do registro de sua candidatura no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira (13). A inconsistência foi constatada pela equipe jurídica do parlamentar no período da manhã, ao tentar prosseguir com a inserção dos dados iniciada na noite anterior. Os advogados identificaram que o sistema da Justiça Eleitoral apontava Flávio como filiado ao Partido Missão, legenda que concorre ao Planalto com a candidatura de Renan Santos. A alteração de filiação teria sido registrada às 23h17 de quarta-feira (12), resultando no travamento do fluxo e na perda dos dados preliminares lançados pela campanha.
Diante da suspeita levantada pelos representantes do candidato de que o episódio pudesse ter sido provocado por um ataque cibernético, o Tribunal Superior Eleitoral emitiu nota oficial esclarecendo que não houve invasão ou violação em suas redes de TI. De acordo com o TSE, a mudança no cadastro ocorreu por meio de um procedimento formal executado por um representante cadastrado do próprio Partido Missão dentro do sistema eleitoral. A prioridade dos advogados do senador é reverter a alteração e restabelecer imediatamente a filiação ao PL junto ao tribunal para garantir a homologação do registro antes do encerramento do prazo oficial da Justiça Eleitoral, estipulado para a próxima sexta-feira (14).
Após a regularização da filiação partidária no sistema do TSE, a campanha de Flávio Bolsonaro pretende formalizar um pedido de investigação junto à Polícia Federal para apurar as circunstâncias da alteração cadastral e identificar os responsáveis pelo incidente às vésperas do limite legal. A equipe manteve os compromissos agendados e confirmou a realização de uma transmissão ao vivo nas redes sociais nesta quinta-feira para apresentar o plano de governo do candidato. Intitulado “Para o Brasil Vencer o Atraso”, o documento possui 70 páginas com diretrizes voltadas para a recuperação econômica e contrapontos à atual gestão do Poder Executivo federal.
Casos de divergências ou fraudes em cadastros de filiações no sistema da Justiça Eleitoral já ocorreram em pleitos anteriores. Em 2024, um incidente semelhante fez com que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparecesse indevidamente registrado como filiado ao PL por cerca de seis meses nos arquivos do TSE. Naquela ocasião, a Corte Eleitoral determinou a anulação imediata da transferência indevida e acionou a Polícia Federal para instaurar inquérito policial, medida que resultou na implementação de protocolos e regras de segurança mais rígidos para a efetivação de registros partidários no país.






