BRASÍLIA — A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) indicou que não deve se engajar de forma imediata na pré-campanha de seu enteado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), à Presidência da República nas eleições de 2026. Durante um evento partidário na capital federal, a presidente do PL Mulher afirmou a jornalistas que seu apoio político virá apenas “no momento certo”, justificando que sua dedicação integral no momento está voltada à estrutura familiar e à saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Atualmente, o ex-mandatário cumpre pena de 27 anos de reclusão em regime de prisão domiciliar, após condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2025 por tentativa de golpe de Estado.
“No momento certo, com certeza [apoiarei]. No momento, agora quem está precisando de apoio, de cuidados, é o meu marido. Não tenho como pensar no amanhã se hoje eu tenho que estar firme e forte para poder cuidar dele”, declarou Michelle na noite desta terça-feira (9).
Xadrez político: A escolha do herdeiro e as pretensões de Michelle
A declaração de Michelle ocorre em um momento de profunda reorganização das forças de direita para o pleito presidencial. Embora o nome da ex-primeira-dama tenha liderado bolsas de apostas e sondagens internas devido à sua forte interlocução com o eleitorado evangélico e feminino, Jair Bolsonaro chancelou oficialmente, em dezembro passado, o filho mais velho, Flávio Bolsonaro, como o herdeiro político direto da vaga majoritária.
Projeções Eleitorais do PL para 2026
├── 🗳️ Presidência da República ──> Flávio Bolsonaro (Lançado oficialmente pelo pai)
└── 🏛️ Senado Federal (DF ou SP) ─> Michelle Bolsonaro (Tratada como "desejada" por Bolsonaro)
Apesar de recuar da disputa pelo Palácio do Planalto em favor do enteado, Michelle admitiu que sua eventual candidatura a uma cadeira no Senado Federal é um “desejo do coração” de seu marido. Aliados do PL dão como certa a sua presença na urna eletrônica, restando definir se a postulação ocorrerá pelo Distrito Federal ou pelo estado de São Paulo.
Escândalo do Banco Master e a suspeita de ‘fogo amigo’
Os bastidores da família Bolsonaro, contudo, enfrentam um clima de extrema desconfiança. Michelle tem evitado dar declarações públicas de defesa a Flávio desde que o senador foi tragado por uma denúncia jornalística do portal Intercept Brasil.
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A acusação: Mensagens vazadas revelaram que Flávio Bolsonaro cobrou R$ 134 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Vorcaro encontra-se preso sob a acusação de capitanear um esquema bilionário de fraudes e crimes financeiros.
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A teoria do racha: Interlocutores ligados aos filhos do ex-presidente (Flávio, Eduardo e Carlos) suspeitam que o vazamento dos áudios e mensagens de texto tenha sido planejado e executado por “fogo amigo” — mais especificamente por alas do próprio partido que rejeitam a liderança de Flávio e tentam minar sua candidatura para forçar a entrada de Michelle na corrida presidencial.
Membros do estafe e conselheiros políticos da ex-primeira-dama rebatem a hipótese com veemência, classificando as acusações de sabotagem interna como intrigas infundadas para enfraquecer a imagem de coesão do PL Mulher. O episódio, contudo, congelou as pontes de diálogo entre a madrasta e os filhos de Jair Bolsonaro na largada das articulações eleitorais.






