Doméstica é resgatada após 22 anos em condição análoga à escravidão em Manaus

Ela foi submetida, desde os 12 anos, a jornadas exaustivas de trabalho doméstico sem salário fixo
Foto: Divulgação

Uma mulher de 34 anos foi resgatada nesta quinta-feira (6) após viver mais de duas décadas em situação análoga à escravidão em uma casa de alto padrão no bairro Ponta Negra, zona oeste de Manaus. Ela foi submetida, desde os 12 anos, a jornadas exaustivas de trabalho doméstico sem salário fixo, sem registro em carteira e sem qualquer acesso à educação.

A vítima foi levada à residência ainda criança, com a promessa de que cuidaria de uma idosa, teria oportunidade de estudar e seria bem tratada. Em vez disso, passou a servir não apenas a idosa, mas diversos membros da mesma família, sem receber pelos serviços. Seu “pagamento” se restringia a comida, moradia e pequenas quantias esporádicas. Ela nunca teve os direitos trabalhistas reconhecidos e viveu durante anos em um quarto precário, sem ventilação, guarda-roupa ou produtos básicos de higiene.

A situação foi descoberta por uma força-tarefa liderada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), após denúncias que levaram ao início das investigações no dia 27 de maio. A operação contou com apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT), da Polícia Federal (PF) e da Defensoria Pública da União (DPU).

Além das tarefas domésticas, a mulher também era obrigada a produzir doces vendidos pelos empregadores em diferentes locais de Manaus. Durante os 22 anos de exploração, ouviu repetidas vezes que era “parte da família” — justificativa usada para mascarar a ausência de remuneração e vínculo legal.

Após o resgate, a vítima recebeu assistência psicossocial da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) e foi reencontrar seus familiares biológicos, dos quais estava separada desde a infância.

As investigações continuam, e os responsáveis podem responder por redução à condição análoga à de escravo, entre outros crimes.

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