Animais no crime: não é só a polícia que usa cachorros para lidar com drogas

O portal 'Notícias + 360' reuniu casos documentados em que animais foram explorados por organizações criminosas.

POLÍCIA – Embora seja amplamente conhecido que a polícia utiliza cães farejadores para combater o tráfico de drogas, existe um lado sombrio dessa relação entre animais e entorpecentes: a utilização de animais por criminosos para facilitar suas atividades ilícitas. O portal ‘Notícias + 360’ reuniu diversos casos documentados em que animais foram explorados por organizações criminosas para transportar drogas, fazer segurança de pontos de tráfico e até mesmo servir como símbolos de poder no crime organizado.

Cães utilizados no tráfico internacional

Caso Itália-México (2013): Uma das operações mais chocantes foi descoberta na Itália, onde uma gangue latino-americana forçava cães a engolirem pacotes de cocaína para transportar a droga do México para Milão. Os veterinários criminosos faziam os animais engolir os pacotes da droga antes de embarcá-los em voos, e depois os sacrificavam para retirar a droga de seus estômagos. Muitos cães chegavam mortos à Itália devido ao vazamento da cocaína, que era suficiente para matá-los. Os 49 suspeitos, com idades entre 19 e 37 anos, eram de nacionalidade equatoriana, peruana e salvadorenha.

Caso Porto Rico-Nova York (2017): Dois homens foram presos por usar um cão labrador como “mula” para traficar mais de 10 quilos de heroína de Porto Rico para o aeroporto JFK em Nova York. A droga, avaliada em mais de US$ 1 milhão, estava escondida no fundo falso da caixa de transporte do animal. Este caso foi particularmente problemático porque utilizou as mesmas rotas legítimas usadas por organizações de resgate de animais.

Caso Colômbia-EUA (2004-2005): O veterinário colombiano Andres Lopez Elorez foi sentenciado a seis anos de prisão por implantar cirurgicamente heroína líquida em filhotes para contrabandear drogas para os Estados Unidos. Entre 2004 e 2005, ele operava uma fazenda em Medellín onde criava cães e colocava sacos de heroína líquida dentro dos filhotes em nome de cartéis de drogas. Nove filhotes foram encontrados em 2005, com 17 sacos de heroína pesando quase três quilos. Três filhotes morreram após contrair vírus. Curiosamente, alguns dos cães resgatados foram posteriormente adotados por policiais e um rottweiler chamado Heroína foi treinado para se tornar um cão farejador de drogas.

Cães de guarda em operações de tráfico

Caso Guarujá, São Paulo (2022): A Polícia Civil descobriu criminosos usando um cão pitbull para fazer segurança de uma residência que armazenava drogas e dinheiro[6]. O animal precisou ser imobilizado por uma veterinária para permitir a entrada dos policiais. Na operação, foram apreendidos 78 kg de skunk (droga sintética), R$ 125 mil em dinheiro, documentos e um veículo. O cão também foi apreendido e posteriormente encaminhado para adoção.

Cães como símbolo de poder no crime organizado

Reino Unido (2013): Pesquisa da Universidade de Middlesex revelou que jovens membros de gangues estavam criando cães perigosos como mastiffs, pit bulls e akitas especificamente para facilitar negociações de drogas e cobrança de dívidas[7]. Os cães eram tratados como “mercadorias” e “trocados” como telefones celulares. Os proprietários construíam músculos dos animais com suplementos vitamínicos e até injetavam esteroides. Um jovem de 16 anos relatou: “Não é apenas um cão, é meio bull mastiff e meio pit bull. Provavelmente vou conseguir outro. Estamos procurando criá-lo e receberíamos cerca de £2.000 por cão”[7].

Reino Unido (2023): Investigação da BBC descobriu que o crime organizado estava se envolvendo no mercado lucrativo de criação extrema de cães, incluindo bulldogs americanos[8]. Criminosos estavam criando e vendendo esses cães para lavar dinheiro e gerar grandes somas, muitas vezes às custas do bem-estar animal. Um traficante de drogas condenado chegou a negociar cães de uma prisão através de redes sociais.

Os animais, sejam domésticos ou selvagens, continuam sendo vítimas vulneráveis da ganância e crueldade humanas, sendo explorados por organizações criminosas que veem apenas lucro onde deveria haver compaixão e proteção.

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