SEGURANÇA – Relacionamentos homoafetivos enfrentam desafios únicos quando o assunto é perseguição e violência doméstica. Especialistas afirmam que casais LGBT sofrem com os mesmos padrões de abuso presentes em relacionamentos heterossexuais. A diferença está na invisibilidade do problema e na dificuldade de buscar ajuda.
Dados mostram que a violência em relacionamentos homoafetivos é uma realidade frequente. Pesquisas apontam que 44,9% das pessoas LGBT já sofreram violência psicológica ou emocional de parceiros íntimos. O comportamento abusivo não tem relação com gênero ou orientação sexual, mas sim com questões de personalidade e controle.
Sinais de alerta
Psicólogos identificam padrões específicos de perseguição em relacionamentos homoafetivos. O ciúme possessivo aparece como uma das principais manifestações. O parceiro controlador estabelece regras rígidas sobre amizades, redes sociais e atividades cotidianas.
Casos reais ilustram essa dinâmica. Thiago de Oliveira, 23 anos, relatou que o namorado tirava prints do Instagram e exigia justificativas sobre curtidas e seguidores. O relacionamento durou apenas quatro meses devido à pressão constante. Jessica, que é bissexual, contou que a ex-namorada invadiu suas redes sociais e maltratou seus amigos.
O controle se manifesta de diversas formas. Questionamentos sobre saídas, escolha de roupas, conversas com outras pessoas e horários são sinais de alerta. O agressor impõe suas vontades e não aceita opiniões diferentes. A escalada da violência começa com situações aparentemente pequenas.
O isolamento social é outra característica marcante. O agressor afasta a vítima de amigos e familiares, alegando que eles não compreendem o relacionamento. A falta de redes de apoio específicas para pessoas LGBT agrava a situação.
Quando a perseguição continua após o término
Regina Lopes, 46 anos, viveu um relacionamento de três meses que deixou sequelas duradouras. A ex-namorada fuçava o celular, procurava motivos para brigar e demonstrava ciúme excessivo. Após o término, a perseguição se intensificou.
A mulher ia até o prédio de Regina e fazia escândalos. Ligava durante a madrugada fazendo ameaças. Regina precisou buscar ajuda psicológica para lidar com o pânico. A situação só cessou quando ela ameaçou fazer boletim de ocorrência e entrou em contato com os pais da ex-namorada.
Estudos sobre stalking indicam que a perseguição após o término é comum em relacionamentos abusivos. O agressor tem dificuldade para aceitar o fim da relação e manter distância. Comportamentos incluem ligações insistentes, monitoramento por redes sociais e perseguição no trabalho.
O que fazer em casos de perseguição
Profissionais recomendam que vítimas busquem ajuda imediatamente ao identificar sinais de perseguição. O diálogo pode ser o primeiro passo quando as cobranças estão incomodando. Se a conversa resultar em ameaças e manipulações, é necessário procurar apoio externo.
A Defensoria Pública orienta que mulheres procurem a Delegacia da Mulher mais próxima para registrar ocorrência. O atendimento pode ser feito presencialmente ou de forma eletrônica. É importante reunir o maior número de provas possível, incluindo prints de ameaças online.
Medidas protetivas podem ser solicitadas para determinar o afastamento do agressor. A Lei Maria da Penha protege mulheres em relacionamentos homoafetivos. A Lei 14.132/2021 criminalizou o stalking no Brasil, definindo-o como perseguição reiterada que ameaça a integridade física e psicológica.
Homens vítimas de perseguição em relacionamentos homoafetivos devem procurar delegacias comuns para registrar boletim de ocorrência. Eles podem acionar o Disque 100, canal nacional de denúncias de violações de direitos humanos. O atendimento funciona 24 horas e oferece orientações sobre como proceder em casos de stalking.
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