“A extrema-direita nunca mais voltará a governar este país”, diz presidente Lula

"Sobretudo com um discurso negacionista, mentiroso, muitas vezes até canalha”
Foto: Reprodução

Durante coletiva neste sábado (7), em Paris, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que não há espaço para a extrema direita voltar ao comando do Brasil. Em resposta a uma pergunta sobre o cenário para as eleições de 2026, Lula foi direto: “Estou olhando bem nos seus olhos: a extrema direita não voltará a governar este país, sobretudo com um discurso negacionista, mentiroso, muitas vezes até canalha”.

Sem antecipar nomes ou alianças para o próximo pleito, o presidente reforçou que seu campo político estará preparado para enfrentar e derrotar os adversários. “Eles querem eleger a maioria no Senado, eu também quero. Eles querem governadores, eu também quero. Mas não será com fake news que a extrema direita ganhará”, afirmou, ao destacar que o momento de discutir candidaturas ainda não chegou.

As declarações ocorreram durante missão oficial à França, marcada por anúncios econômicos e encontros diplomáticos. Lula celebrou a assinatura de compromissos que preveem R$ 100 bilhões em investimentos de empresas francesas no Brasil nos próximos cinco anos, valor bem acima da expectativa inicial de R$ 70 bilhões. “Não sei quanto custou a viagem, mas sei o que estamos levando de volta”, disse Lula.

O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, comemorou o resultado: “Os próprios empresários franceses apontaram esse potencial. Isso reforça a confiança no ambiente econômico do Brasil”.

Além dos investimentos, Lula usou a viagem para defender uma postura mais ousada do Brasil nas relações internacionais. “Chega de agir como país submisso. O Brasil não é menor do que ninguém”, criticou, em referência à postura histórica da diplomacia brasileira diante da Europa. “O Brasil se faz respeitar. Somos parte do Sul Global e não devemos nada a ninguém.”

Durante sua passagem, Lula também defendeu ampliar o fluxo comercial com a França — que hoje gira em torno de US$ 9 bilhões — e propôs uma cooperação na área de defesa, incluindo a produção de helicópteros da Helibrás com tecnologia francesa para atender a América Latina.

Na pauta ambiental, o presidente antecipou sua participação em uma cúpula sobre o futuro dos oceanos, em Mônaco, ainda este mês. “Vocês acham que só o Galvão Bueno vai para Mônaco?”, brincou. Ele reforçou que o Brasil está empenhado em sediar uma COP30 ambiciosa e cobrou responsabilidade dos países ricos na descarbonização do planeta. “Quem poluiu mais, tem que pagar mais.”

Por fim, Lula afirmou que não hesitará em cobrar presença e engajamento de líderes internacionais nos debates ambientais. “Se o Trump disser que não vai à COP, eu mesmo vou ligar para ele. O Brasil é importante e o mundo precisa discutir a questão ambiental.”

A viagem marca uma combinação de discurso político interno com articulação internacional, projetando o Brasil como um ator mais assertivo no cenário global — e Lula como seu principal porta-voz.

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