POLÍTICA – Ao longo da história recente do Brasil, as primeiras-damas têm desempenhado papéis distintos no cenário político e social brasileiro, mas poucas geraram tanto debate quanto as duas mulheres que ocuparam essa posição mais recentemente: Rosângela Lula da Silva (Janja) e Michelle Bolsonaro. Ambas romperam com o modelo tradicional de primeira-dama, porém por caminhos completamente diferentes, criando trajetórias que podem servir de identificação para mulheres de diferentes vertentes políticas.
Perfis de atuação
Michelle Bolsonaro construiu sua trajetória política de forma discreta, inicialmente focando em causas sociais específicas, especialmente relacionadas à inclusão de pessoas com deficiência. Durante o mandato de Bolsonaro, ela se manteve relativamente afastada dos holofotes até 2022, quando emergiu como figura central na campanha de reeleição do marido. Sua atuação concentrou-se primordialmente em projetos sociais voltados para pessoas com deficiência, surdos e portadores de doenças raras.
Janja da Silva, por sua vez, é formada em Sociologia pela Universidade Federal do Paraná e militante do PT desde os 17 anos. Janja transformou o papel de primeira-dama em uma função quase ministerial. Desde o início do terceiro mandato de Lula, ela tem atuado como articuladora política, participando da formação do governo, influenciando nomeações ministeriais e assumindo um protagonismo diplomático sem precedentes. Sua atuação vai além das questões sociais tradicionais, envolvendo-se diretamente em decisões políticas e representando o Brasil em missões internacionais.
Abordagens ao ativismo social
A diferença mais marcante entre as duas reside na natureza de suas ações sociais. Michelle Bolsonaro focou em causas específicas e concretas, como a aprovação da lei que classifica a visão monocular como deficiência visual, permitindo que 400 mil pessoas de baixa renda tenham acesso ao Benefício de Prestação Continuada. Seus projetos incluíram também a criação de políticas para educação de surdos, pensão vitalícia para crianças com microcefalia e distribuição de cestas básicas para famílias ribeirinhas durante a pandemia.
Janja, por outro lado, adotou uma abordagem mais ampla e política, concentrando-se em questões de gênero, igualdade racial e diplomacia internacional. Sua influência no governo é percebida na nomeação de ministras como Margareth Menezes (Cultura) e Anielle Franco (Igualdade Racial), além de ter vetado nomes como Pedro Paulo para o Ministério do Turismo por suspeitas de violência doméstica.

Controvérsias e Repercussões
As duas primeiras-damas enfrentaram diferentes tipos de polêmicas. Michelle Bolsonaro teve seu nome envolvido em questões relacionadas às joias sauditas e ao uso de recursos públicos para viagens com seu maquiador. Porém, suas controvérsias foram mais pontuais e relacionadas a questões administrativas.
Janja acumula uma série de episódios polêmicos relacionados à sua atuação política e diplomática. O mais notório foi o xingamento ao bilionário Elon Musk durante evento do G20, quando disse “Fuck you, Elon Musk”. Outros episódios incluem o suposto constrangimento diplomático com o presidente chinês Xi Jinping sobre o TikTok, e diversas gafes em eventos internacionais. Pesquisas mostram que 50% dos eleitores que a conhecem desaprovam sua participação no governo.
Projeção Política Futura
Ambas as mulheres são cotadas para disputas eleitorais futuras, mas com diferentes perspectivas. Michelle Bolsonaro emerge como potencial candidata à Presidência da República em 2026, especialmente devido à inelegibilidade de Jair Bolsonaro[10][26]. Pesquisas mostram que ela aparece tecnicamente empatada com Lula em cenários eleitorais, atraindo especialmente o voto evangélico e feminino conservador.
Janja, embora negue interesse em carreira política, tem seu nome especulado como possível candidata pela esquerda. Sua influência política já é evidente no governo atual, onde atua como uma espécie de “co-presidente” extraoficial, participando de decisões estratégicas e representando o Brasil em missões diplomáticas.

Recepção Pública
A recepção pública das duas primeiras-damas reflete a polarização política brasileira. Michelle Bolsonaro tem 43,4% de preferência popular contra 34,7% de Janja, segundo pesquisa do Paraná Pesquisas. Michelle lidera nas regiões Sul, Sudeste, Norte e Centro-Oeste, enquanto Janja tem preferência apenas no Nordeste. Entre o eleitorado masculino e evangélico, Michelle tem maior aceitação, enquanto Janja é preferida entre mulheres e jovens.
Impactos Institucionais
Michelle Bolsonaro deixou um legado focado em conquistas legislativas específicas para pessoas com deficiência, como a Lei Amália Barros sobre visão monocular e programas de inclusão social. Sua atuação foi mais institucional e menos controversa, mantendo-se dentro dos parâmetros tradicionais do papel de primeira-dama.
Janja está redefinindo o papel da primeira-dama brasileira, assumindo responsabilidades que historicamente não faziam parte dessa função. Sua influência vai desde a articulação política interna até a representação diplomática internacional, criando um precedente que poderá influenciar futuras primeiras-damas.
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