BRASÍLIA — O sentimento de desconfiança e o receio com a escalada dos custos operacionais ganharam força no setor produtivo brasileiro. De acordo com a nova edição da pesquisa Firmus, divulgada pelo Banco Central (BC) no final da manhã desta sexta-feira (26 de junho de 2026), as empresas de fora do mercado financeiro revisaram para cima as suas projeções de inflação para este ano e indicaram um aumento expressivo no pessimismo em relação ao cenário econômico atual.
O relatório, que funciona como um termômetro trimestral das corporações do comércio, indústria e serviços, revelou que a mediana das expectativas para a inflação oficial (IPCA) em 2026 saltou de 4,0% (no levantamento de março) para 5,0%. Para os anos seguintes, o teto também sofreu pressões: enquanto a previsão para 2027 fixou-se em 4,0%, a estimativa para 2028 subiu de 3,8% para 4,0%.
Os Motores do Pessimismo: Mão de Obra e Geopolítica
A deterioração da percepção econômica em comparação ao primeiro trimestre do ano é explicada por fatores internos e externos que espremem as margens de lucro das companhias. Os dados, coletados junto a 349 empresas entre os dias 11 e 29 de maio, destacam:
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Pressão Interna: Expectativa de custos mais elevados com a contratação de mão de obra e encarecimento generalizado de insumos básicos de produção;
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Fator Oriente Médio: O BC incluiu um quesito especial sobre os reflexos do conflito geopolítico na região petrolífera. A maioria das organizações relatou impactos severos nas planilhas, puxados principalmente pela alta nos custos de frete internacional, gargalos logísticos e na aquisição de derivados de petróleo.
Ajuste de Expectativas no Setor Produtivo (Pesquisa Firmus)
├── 📈 Projeção do IPCA 2026 ─────> Subiu de 4,0% para 5,0%
├── 📊 Crescimento do PIB (2026) ──> Mantido em 1,8% (Estabilidade na atividade)
└── 💵 Cotação do Câmbio (6 meses) ─> Recuou de R$ 5,40 para R$ 5,15 (Dólar mais fraco)
PIB Estável e Alívio no Câmbio
Apesar do humor mais azedo com os preços e com o desempenho específico de cada setor de atuação, as empresas mantiveram uma postura conservadora — mas estável — quanto ao ritmo de tração da atividade econômica. A projeção de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil foi mantida em 1,8% tanto para 2026 quanto para 2027.
O único indicador que trouxe um viés de alívio para os empresários foi o mercado de câmbio. Diante das oscilações recentes, a projeção para o comportamento do dólar nos próximos seis meses recuou consideravelmente, passando de R$ 5,40 na sondagem anterior para R$ 5,15. Essa perspectiva de moeda americana mais fraca pode atuar, em médio prazo, como um amortecedor contra a escalada de preços de componentes e produtos importados.






